Parcerias

 
NO INTERIOR DE CADA PAÍS ESTÁ O SEU DESTINO[1]

 

Impunha-se percorrer as localidades portuguesas do último percurso sonhado por José Saramago. “A 18 de Junho de 2009, precisamente um ano antes do dia em que ia morrer, José Saramago estava em Figueira de Castelo Rodrigo, o ponto final de um roteiro cultural que acabava de inaugurar para conhecer por outras perspetivas o país que trazia no coração. O Caminho de Salomão é o nome deste novo percurso, insólito porque responde a urgências sentimentais e literárias, possível porque já existia e apenas necessitava que o escultor retirasse a pedra da superfície e mostrasse a escultura em todo o seu esplendor”.[2]
De malas aviadas, os ACERTinos percorreram as localidades da Rota “O Caminho de Salomão”. Aos municípios integrantes foram testemunhados desejos que estavam para além da criação de um espetáculo teatral de rua. Desejava-se que as populações fossem protagonistas e não só espectadores, viventes além de videntes. Os promotores locais (Municípios) somaram-se emocionalmente: Figueira de Castelo Rodrigo, Sabugal, Pinhel (Territórios do Côa, ADR),  Fundão, Castelo Branco, São João da Pesqueira (com o impulso afectivo do Museu do Douro) e, naturalmente, Tondela — município sede do Trigo Limpo teatro ACERT — que adotou o Salomão e o fez renascer numa Índia de multiculturalidades. Desde o primeiro momento, o Turismo Centro de Portugal embarcou na viagem num esforço de sinergias comuns.
O espetáculo retribuía a matriz dum caminho de lembranças onde Saramago “se emocionou vendo o caminhar da história e não a sua decadência, […] os nomes das pessoas que as habitam, os sonhos que os motivam a viver humanamente num lugar feito à medida humana”. [3]

 

São lugares do Interior que, por não estarem na costa, parecem malditos, mas que têm potencialidades impressionantes[4]

No livro Viagem a Portugal, Saramago «andava sempre à procura de locais onde normalmente ninguém passava.[5]

"Asseguro-vos que vamos encontrar maravilhas", foi a promessa feita pelo escritor no início da viagem. José Saramago sabia bem do que falava dado que iria revisitar locais por onde andou há trinta anos quando escreveu "Viagem a Portugal".

 

É assim que esta Viagem vai envolver, em cada porto onde ancora, cerca de 80 intervenientes locais (atores, músicos e população), numa demonstração de celebração do “teatro da palavra com os melhores artifícios disponíveis - e muita vontade, irreverência, espírito crítico, paixão pela arte e por romper os modos medievais que seguem imperando”.[6]
Cada espetáculo será singular pela identidade emocional que cada população lhe conferir. Queremos pertencer a cada lugar e sentir com autenticidade a partilha de uma paixão comum que nos foi tão gentilmente oferecida por José Saramago.


[1] José Saramago nas Suas Palavras, “Saramago: ‘Los políticos no saben Historia”, in ABC, Madrid, 13 de Maio de 1995

[2] ocaminhodesalomao.com

[3] ocaminhodesalomao.com

[4] Pilar del Rio, “Voltamos Sempre ao Lugar Onde fomos Felizes”, Visão, 4 de Agosto de 2011

[5] Rita Pais, ibidem

[6] Pilar del Río, Mensagem enviada ao Trigo Limpo teatro ACERT durante o processo de montagem e ensaios, 10.06.2013.



Continue a ler 'o Processo'