A Viagem Do Elefante ancorou em Carregal Do Sal

TERRA DAS CÉLEBRES SALINAS (1752/1819) QUE SERVIRAM DE ENTREPOSTO DO SAL EM VIAGENS DE BARCO DA FIGUEIRA DA FOZ, PELO RIO MONDEGO, ATÉ FOZ-DÃO

Sábado, 6 de Setembro, 21:30h — Praça do Município

Cinco dias de entusiasmantes ensaios com largas dezenas de participantes locais, tornam esta jornada teatral memorável e irrepetível.

“A 18 de Junho de 2009, precisamente um ano antes do dia em que ia morrer, José Saramago estava em Figueira de Castelo Rodrigo, o ponto final de um roteiro cultural [O Caminho de Salomão] que acabava de inaugurar para conhecer por outras perspetivas o país que trazia no coração. Foi este trilho, pela maior parte das localidades portuguesas do percurso do elefante Salomão narradas por José Saramago no seu livro, que foi palmilhado com boas companhias pelo Trigo Limpo teatro ACERT em 2013, tendo como última paragem Rivas-Vaciamadrid em Espanha.

A loucura tem prosseguido em 2014 em mais um sonho que sobrevoa humanamente pelo território de Viseu Dão Lafões.

Carregal do Sal é a décima estação duma jornada teatral iniciada em finais de maio e que, com apenas duas curtas semanas de paragem, têm feito de cada sábado uma montanha de maravilhosos encontros com plateias de milhares de espectadores.


Ao elenco artístico e técnico do Trigo Limpo teatro ACERT, encontram-se associados dezenas de participantes locais que terão interpretações fundamentais que contribuirão, tal como a cenografia adaptada à arquitetura da Praça do Município. Cada espetáculo tem um carácter de estreia pela apropriação espacial onde decorre e pelos novos intervenientes que transportam ânimos que dão a cada cena uma efemeridade apaixonada. O teatro atinge a grandeza da efemeridade que deixa memórias profundas a quem nele intervém e a quem a ele presencia.

O agigantado elefante Salomão passou a pertencer a Carregal do sal desde o início da semana, travando amizades e ganhando energias humanas para reviver sempre inovadoramente a grande viagem que acontecerá no sábado seguinte.
O espetáculo retribui a matriz dum caminho de lembranças onde Saramago “se emocionou vendo o caminhar da história e não a sua decadência, […] os nomes das pessoas que as habitam, os sonhos que os motivam a viver humanamente num lugar feito à medida humana”.

Em Castro Daire, mais de um milhar de espectadores celebraram a grande festa popular que o teatro pode revestir, mesmo quando a narrativa contém um sentido de reflexão profunda e emocionante sobre a condição humana. O silêncio faz, de cada espaço público ao ar-livre, uma morada de recolhimento para assistir à magia das palavras de grande humanidade que José Saramago semeou para tão genuína celebração.