A Viagem passando por Castro Daire

A VIAGEM DO ELEFANTE EM CASTRO DAIRE CONFIRMARÁ QUE “SEMPRE CHEGAMOS AO SÍTIO AONDE NOS ESPERAM” 

Representação do novo espaço de apresentação do espetáculo (zetavares)

Sábado, 30 de Agosto, 21:30h — Parque Urbano

 A Viagem do Elefante em Castro Daire palmilhará um cume dum monte escalpado entusiasticamente pelos muitos participantes locais que, conjuntamente com o Trigo Limpo teatro ACERT, irão revelar teatralmente seduções literárias de José Saramago

 

“A Viagem do Elefante”, espetáculo de teatro de rua criado em 2013 pelo Trigo Limpo teatro ACERT, após as vinte apresentações em localidades de Portugal e de Espanha, prossegue a digressão por mais geografias até final de Setembro.

Em Castro Daire, uma nova etapa será percorrida. O elefante Salomão, no Parque Urbano, cumprimenta quem passa e é timoneiro de atores, músicos e técnicos na preparação da viagem do próximo sábado.

 A descentralização não se confina ao dia da apresentação. Serão mais de 70 dias de estadia de uma equipa artística nas várias localidades da digressão de 2014. Certifica-se a importância de um projeto que, através da circulação de um objeto artístico, valoriza identidades locais e territórios de gente boa e bonita, normalmente arredada dos circuitos de difusão artístico-culturais que privilegiam os grandes centros urbanos.

Um processo inovador que contém as enzimas de paixão que fazem da arte um elemento impulsionador de cooperação e de capacitação humanas:

  •  Uma equipa de mais de duas dezenas de criadores do Trigo Limpo teatro ACERT viaja e instala-se ao longo de uma semana em cada localidade, ensaiando com dezenas de participantes locais que integram ativa e talentosamente o espetáculo.
  • O material cenográfico, adereços, figurinos, equipamento de som/luz com o agigantado elefante são transportados numa frota composta por uma zorra, um camião TIR, 3 furgões e viaturas de transporte da equipa.
  • Cada espaço público sofre adaptações da sua arquitetura, passando a incorporar espaços cénicos das muitas paragens que pontuam a viagem do elefante Salomão de Lisboa até Viena de Áustria.
  • As comunidades que acolhem o espetáculo numa demonstração regozijo, traduzido pela cooperação dispensada à equipa artística e pela hospitalidade para com o público que, doutros lugares, as visitam no dia do espetáculo;
  • A economia local beneficia de receitas que, sendo pontuais, animam a ocupação hoteleira e impulsionam a visibilidade das riquezas locais e das suas gentes.

E José Saramago, criador de livros e de sonhos, está presente em cada momento. Representam-se as suas memórias sentimentais:

 “Em que língua se diz, em que nação,

Em que outra humanidade se aprendeu

A palavra que ordene a confusão

Que neste remoinho  se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados

Cantos de ave pousada em altos ramos

Dirão, em som, as coisas que, calados,

No silêncio dos olhos confessamos?” (1)

 

No passado sábado, Santa Comba Dão representou mais um momento particular dum périplo teatral que, pela sua singularidade, marca o panorama teatral nacional. Mais de um milhar de espectadores tornaram mágica a noite num cenário natural engalanado pelo desempenho artístico apaixonante de quase uma centena de atores, músicos e técnicos.

Este acontecimento teatral comunitário tem como entidade promotora a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões.

“A Viagem do Elefante” retribuirá, em cada localidade, a matriz dum caminho de lembranças onde o nosso Nobel “se emocionou vendo o caminhar da história e não a sua decadência, […] os nomes das pessoas que as habitam, os sonhos que os motivam a viver humanamente num lugar feito à medida humana”.

 

(1) - José Saramago, Os Poemas Possíves