Salomão no Jornal de Vouzela

Artigo de Lurdes Pereira

 

VIAGEM DO ELEFANTE ENCANTOU VOUZELA

Artigo de Lurdes Pereira

Jornal de Vouzela, 03 de Julho de 2014

 

“Vouzela recebeu, na noite de 28 de Junho, no Largo da Feira, o espectáculo «A Viagem do Elefante», numa produção da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) – Trigo Limpo Teatro ACERT, em parceria com a Flor de Jara e a Fundação José Saramago, com o apoio da Câmara.

O evento é um espectáculo comunitário de teatro de rua, numa adaptação livre do conto de José Saramago com o mesmo nome, que retrata a ida do elefante indiano Salomão até à Áustria, enviado pelo Rei D. João III, como presente de casamento do arquiduque Maximiliano da Áustria.

O espectáculo juntou actores profissionais, cerca de 60 participantes da comunidade local e a Sociedade Musical Cultura e Recreio de Paços de Vilharigues.

A plateia foi pequena para receber cerca de mil pessoas que quiseram assistir a um espectáculo diferente e que foi uma extraordinária experiência para quem a vivenciou, designadamente os participantes da comunidade local.

«Tivemos cerca de 60 participantes activos, o que é muito bom e estamos muito satisfeitos»

O espectáculo revisita o caminho de Salomão, celebrando territórios e as suas gentes nas urgências sentimentais e literárias da vida de um criador de livros e de sonhos: José Saramago que nos lembra que «sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam», pois o destino é a morte.

Durante a semana, de 24 a 26 de Junho, os participantes, divididos em grupos, tiveram ensaios, em horário laboral, das 14h30 às 18h00, e pós-laboral, das 20h00 às 23h00, de forma a interpretarem as personagens que representaram na peça, tendo sido marcados pela boa disposição, pela interacção com os actores e pelo convívio.

No ensaio geral, que decorreu na noite de 27, os participantes puderam ter uma pequena amostra de como iria ser grandioso o espectáculo do dia seguinte.

Na tarde de 28 de Junho, após a escolha do vestuário e da realização da maquilhagem houve um lanche, servido pela Escola Profissional de Vouzela, e as últimas indicações dos actores.

O espectáculo decorreu da melhor forma e foi uma experiência única para todos os intervenientes. Para os actores já que cada actuação é diferente e para os participantes que tiveram assim a oportunidade de integrar este magnífico projecto que este ano esteve já em cinco concelhos e vai percorrer ainda mais nove, no âmbito da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões.

No final o elemento da ACERT e encenador do espectáculo, José Rui Martins, salientou que o balanço «é o melhor a vários níveis. Em termos da adesão dos participantes locais com empenho, talento e dedicação, porque partilharam connosco este sonho e não foram figurantes, mas sim elementos activos; da presença do público com mais de mil pessoas que vieram ver e que tiveram uma reacção como se estivessem num auditório, o que contraria a ideia de que as pessoas do interior só gostam de um tipo de espectáculo; e do apoio das entidades locais que colaboraram para que tudo desse certo».

«Tivemos cerca de 60 participantes activos, o que é muito bom e estamos muito satisfeitos. O objectivo é que o público não note diferença entre os actores profissionais e os participantes quando o Trigo Limpo efectua um espectáculo. O público não acredita que o trabalho se constrói em quatro noites e isso é mágico, visto que há a ideia que os ensaios decorrem há muito tempo», realçou.

«Existe uma grande autenticidade que nos dá energia para desenvolver estes espectáculos. O mudar de localidade e o aproveitamento que a cenografia realiza da arquitectura local leva a que cada espectáculo seja uma estreia», adiantou.

José Rui Martins evidenciou que «esta é uma aposta ganha pelo Trigo Limpo e por quantos se entreajudam e tornam visíveis os territórios, já que vêm pessoas de outras zonas que conhecem as suas belezas naturais e paisagísticas, a gastronomia e as suas gentes que são quem faz os sítios».

«O espectáculo vai passar em mais nove concelhos e apelamos à participação das pessoas. Acreditem na sua capacidade de serem activas. Este espectáculo é também um acto de cidadania», mencionou.

A produção de «A Viagem do Elefante» começou em Fevereiro, sendo «um grande empreendimento económico, devido aos custos com a montagem, os figurinos e o engenho cénico (elefante). Foi um risco grande por ser uma superprodução em termos de teatro de rua», informou.

A vereadora do Pelouro da Cultura do Município de Vouzela, Carla Maia, frisou que «A Viagem do Elefante» foi um «espectáculo de rua memorável, foi excelente e com uma narrativa muito boa. Sabíamos que era uma viagem, mas toda a história e o cenário levaram a que o público entrasse dentro do espectáculo».

«Foi das melhores coisas que já se efectuou em Vouzela também pela participação da população no espectáculo e integrado no espaço do Largo da Feira. A adesão do público superou as expectativas e a sua reacção ao espectáculo é que gostou imenso», defendeu.

A próxima actuação é a 12 de Julho, no Caramulo.”

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