Final da digressão 2014 por Viseu Dão Lafões

A Viagem do Elefante em Aguia da Beira

A VIAGEM DO ELEFANTE

Produção teatral de rua do Trigo Limpo teatro ACERT
Parceria da Fundação José Saramago
Co-produção Musical da Flor de Jara

EM AGUIAR DA BEIRA, UM PROGRAMA MUITO ESPECIAL CELEBRA O FINAL DA DIGRESSÃO 2014 D’A VIAGEM DO ELEFANTE POR VISEU DÃO LAFÕES E, SIMBOLICAMENTE OS MOMENTOS DE ENCANTAMENTOS VIVENCIADOS NOS OUTROS CONCELHOS.

“SEMPRE CHEGAMOS AO SÍTIO AONDE NOS ESPERAM”
AGUIAR DA BEIRA, DIA 27 DE SETEMBRO, 21,30H

Se a Fonte Ameada, mereceu o pincel de Grão Vasco, também a Viagem do Elefante, marcará o coração de Aguiar da Beira onde a monumentalidade revela caminhadas de vida e memórias de gente hospitaleira rodeada de encantos naturais.


Após 25 espetáculos apresentados, sendo 11 em 2013 e 14 esta temporada, registamos, só nesta última etapa mais de 17.000 espectadores e mais de 700 participantes locais (atores, músicos e organizadores).

O pulsar afetivo de José Saramago, “Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”, e o encantamento teatral suscitado pelo seu romance “A Viagem do Elefante” geraram no Trigo Limpo teatro ACERT a ideia da montagem de uma produção teatral de dimensão pouco habitual no panorama teatral nacional.

Em 2013 e 2014 esta Viagem andarilhou por um roteiro que privilegiou o interior do país, atraindo, nas suas onze apresentações, muitos milhares de espectadores. Em cada porto onde o espetáculo ancorou afectuosamente, conquistou a paixão de muitos intervenientes locais, ultrapassando os 1.000 participantes (atores, músicos e organizadores) que integraram os distintos elencos nas várias cidades da digressão que se demonstrou sublinhada pelas afetividades compartilhadas. Lisboa e Rivas Vaciamadrid completaram uma digressão que se traduziu num êxito assinalável.

“O QUE DÁ O VERDADEIRO SENTIDO AO ENCONTRO É A BUSCA E QUE É PRECISO ANDAR MUITO PARA ALCANÇAR O QUE ESTÁ PERTO.”

Em 2014, um novo roteiro por mais 14 localidades foi palmilhado, tendo como promotora a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, que aceitou o desafio de unir um território pela circulação de uma criação artística na exploração de interações que se repercutissem na identidade das populações, com memórias e identidades a reclamarem mais reconhecimento.
A descentralização, matriz conceptual do projeto, não se confina ao dia da apresentação do espetáculo. Foram mais de 70 dias de estadia das duas dezenas de atores, músicos, técnicos e produtores do elenco do Trigo Limpo teatro ACERT. Certificou-se a importância de um projeto que, a partir da circulação de uma criação artística pluridisciplinar , valorizou identidades locais de gente boa e bonita, normalmente arredada dos circuitos de difusão artístico-culturais que privilegiam os grandes centros urbanos.
Um processo inovador que contém as enzimas de paixão que fazem da arte um elemento impulsionador de cooperação e de capacitação humanas:

“NÃO HÁ NENHUM CAMINHO TRANQUILIZADOR À NOSSA ESPERA. SE O QUEREMOS, TEREMOS DE CONSTRUÍ-LO COM AS NOSSAS MÃOS”.

  • Uma equipa de mais de duas dezenas de criadores do Trigo Limpo teatro ACERT viajou e instalou-se ao longo de uma semana em cada localidade, ensaiando com dezenas de participantes locais que integram ativa e talentosamente o espetáculo.
  • O material cenográfico, adereços, figurinos, equipamento de som/luz com o agigantado elefante são transportados numa frota composta por dois camiões TIR, 3 furgões e viaturas de transporte da equipa.
  • Cada espaço público patenteou teatralmente a arquitetura de cada lugar que passou a incorporar espaços cénicos das muitas paragens que pontuavam a Viagem do Elefante Salomão de Lisboa até Viena de Áustria
  • As comunidades acolheram o espetáculo numa demonstração regozijo, traduzido pela cooperação dispensada à equipa artística e pela hospitalidade para com o público que, doutros lugares, as visitou no dia do espetáculo. As populações reclamaram legitimamente um acontecimento que lhes pertenceu, pelo carinho com que contribuíram para o seu ressurgimento continuamente renovado
  • A economia local beneficiou de receitas que contribuíram para animar o comércio e serviços de cada lugar.

Ao longo de uma semana, os ensaios ganharam as ruas, as praças, os edifícios públicos e as habitações. Cada noite foi ocasião de encontro para a fabricação engenhosa, entusiasta e rigorosa para que, em cada Sábado, o espetáculo transbordasse de generosidade, talento e inspiração para alimentar paixões comuns e interajuda solidária.

Cada comunidade e as largas dezenas  de participantes locais prontificaram-se a serem anfitriões dos muitos visitantes, testemunhando com a sua capacidade, iniciativa e conhecimento o desafio humano tão gentilmente transmitido por José Saramago:

“NO INTERIOR DE CADA PAÍS ESTÁ O SEU DESTINO”

Os participantes locais não restringiram a sua prestação artística à figuração no espetáculo. Iniciaram o processo de ensaios em cada terça-feira e prolongaram-no até ao final de cada espetáculo. Coordenados pelo elenco do Trigo Limpo teatro ACERT, os participantes revelam talentosamente a capacidade de criar personagens que se demonstram cruciais na interpretação dos distintos momentos dramáticos que estão subjacentes ao contar teatral do romance de um criador de livros e de sonhos como José Saramago. A aposta artística ganhou, de local em local, inovadores impulsos de construção de personagens colectivas que requereram muitas horas de ensaios e de compreensão duma dramaturgia que exigiu o domínio corporal, expressivo, interpretativo e musical rigorosos.
Todos os espetáculos readquiriram, pela readaptação inovadora a cada local, o carácter de estreia.

A equipa de Trigo Limpo teatro ACERT desmultiplicou-se nas funções: montagens, ensaios, interpretação, produção e desmontagem de um edifício teatral que exigiu uma produção de grande escala. A organização e planificação exigiu um profissionalismo eficaz e rigoroso só possível pela energia e sinais de partilha humana partilhados em cada lugar.

PROGRAMA 27 DE SETEMBRO

16:00h Sessão no Salão Nobre da Câmara Municipal de Aguiar da Beira

  • Boas vindas pelo Presidente da Câmara Municipal de Aguiar da Beira - Joaquim Bonifácio
  • No Interior de cada País está o seu destino” 
    Reflexão conjunta sobre o projeto “A Viagem do Elefante por Viseu Dão Lafões” com intervenções da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, da ACERT, da Fundação José Saramago, do Município de Penalva do Castelo, e da Secretaria de Estado da Cultura, estando presentes representantes dos 14 municípios associados da CIM Viseu Dão Lafões e de alguns elementos locais que participaram nos espetáculos de toda a digressão.
  • Encerramento da Sessão pela Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro - Ana Abrunhosa.

18:30h Inauguração de uma pegada em bronze do Elefante Salomão, que ficará implantada no espaço público em Aguiar da Beira, representando simbolicamente o final da digressão 2014 pela região Viseu Dão Lafões. 

19:00h Exposição de fotografia “A Viagem do Elefante”.
Fotografias de Ricardo Chaves dos espetáculos da digressão 2013 em Portugal e Espanha.

21:30h Espetáculo “A Viagem do Elefante” – Avenida da Liberdade, Aguiar da Beira.


Mas "A Viagem do Elefante" não vai ficar por aqui. Terminada a segunda etapa, irá seguir para novas geografias em 2015, havendo já convites para festivais internacionais e perspetivas para a digressão por mais cidades nacionais. A Fundação José Saramago foi parceira desde a primeira hora, demonstrando-se imprescindível na paixão compartilhada. Tal como na estreia, a Presidenta da Fundação, Pilar del Río viverá mais esta segunda etapa do sonho.