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Golpe D'Asa
O Trigo Limpo e o Teatro de Rua
Voos Cruzados
Uma história de AVEnturas
Um pássaro, muitas penas
Futuras aterragens
Figurinos
Ficha Artística e TécnicaRequisitos Técnicos
O Golpe D'Asa em Tondela
Texto de António GilDa Criação de Aves Raras
Entrevista com José Rui Martins e Pompeu José
Participação na EXPO ZARAGOZA 2008
A convite do Comissariado de Portugal

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Jornal Golpe D'Asa
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Jornal Golpe D'Asa
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Almodôvar (No âmbito do Projecto“Crescer na Diferença,
Educar para a Igualdade”
4ª Feira, 23 Jun'10, às 21:30
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Ruas de Aveiro
Sábado, 26 Set'09, às 21:00h
Guarda (Integrado no programa da Semana Europeia da Mobilidade)
Sábado, 20 Set'08, às 11h e 16:30h
Festas do Concelo de Tondela
15 Set'08, às 20:00h e 16 Set'08, às 18:30h
Andanças | Carvalhais, S. Pedro do Sul
10 Ago'08, às 17:00h
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UMA HISTÓRIA DE AVENTURAS

Desenganem-se os que esperam descobrir, por entre as camadas de penas do nosso passaroco, a resposta àquela redondinha questão, quase tão velha como o mundo: quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha? Pois bem: permanecemos na incógnita!
Contudo, mesmo desconhecendo qual dos dois inaugurou o ciclo da vida, sabemos que o nosso animal teve origem no ovário da rica inventiva popular.
Aí se aconchegou, embebido num líquido amniótico imaginativo destinado a conservá-lo durante a incubação.
Com tão intensos cuidados pré-natais, não é de estranhar que o bicho tenha desenvolvido um especial gosto por estórias, um sentido de aventura e uma sede de descoberta. Um pássaro inerte encontrado por um grupo de animadores, uma avalanche de ovos em catadupa, as estações do ano, a festa, a viagem errática, a normalidade e o andamento – todos estes ingredientes se escondem debaixo da asa do nosso protagonista.
(…) eu, que nunca voei, carrego as asas como duas saudades.
E, no entanto, só piso felicidades.
Mia Couto, O Último Voo do Flamingo
O itinerário pauta-se ainda por uma dramaturgia insuflada de referências simbólicas a um passado partilhado por todos.
Por um lado, o enredo simples, do namoro ao ovo – ou do nascimento à cova – deixa entrever o bíblico dilúvio que precedeu a construção da arca de Noé, para o transformar numa fonte purificadora que evoca a nossa relação ancestral com a água.
Por outro, o percurso alado parece evocar o universo fantástico da ‘Passarola’ de Bartolomeu de Gusmão, que nos confronta com a eterna (im)possibilidade de voar. Perante este limite da condição humana, a asa representa, mais do que um mero apêndice membranoso passível de projectar as aves nos céus, uma utopia, uma meta impossível. A ornitologia é uma ciência; o voo é um mistério…
Aproxima-se também um padre jesuíta chamado Bartolomeu que inventou uma máquina capaz de subir ao céu e voar sem outro combustível que não seja a vontade humana, essa que, segundo se vem dizendo, tudo pode, mas que não pôde, ou não soube, ou não quis, até hoje, ser o sol e a lua da simples bondade ou do ainda mais simples respeito.
José Saramago, Discurso na entrega do Prémio Nobel
A alusão a estes períodos históricos, revisitados por serem épocas em que todos sonhavam levantar os pés do chão, não invalida, contudo, que o Golpe d’Asa pisque o olho ao tempo presente. Se as interpretações – ainda que em ambiente colorido – remetem para o cinema a preto-e-branco (com a devida vénia a Chaplin, Buster Keaton e aos Irmãos Marx), a música singular (mistura de ritmos do mundo com a ressonância do ‘rouxinol d’água’ em barro) imprime ao engenho cénico um pulsar de movimento, comunicação, medo, espanto, sedução… enfim, de celebração da vida.
O imaginário cultural do pássaro reflecte, desta forma, uma profunda ligação com a contemporaneidade, explorando a dialéctica da relação do homem com a natureza, sem perder de vista um futuro centrado na preservação dos recursos naturais, na paz, na igualdade e na diversidade.
Eu só tenho existência... física, embora quisesse ter uma espécie de existência angélica.
O que eu queria mesmo era voar, voar!
Ruben Alves
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