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MEMÓRIA – A MARCA HUMANA DE 26 FREGUESIAS DO CONCELHO DE TONDELA
MEMÓRIA – A MARCA HUMANA DE 26 FREGUESIAS DO CONCELHO DE TONDELA
DVD + Livro
Estado: disponivel

Esta iniciativa serviu o propósito de UNIR O CONCELHO DE TONDELA, através do cruzamento de MEMÓRIAS DE 26 PESSOAS DE CADA UMA DAS SUAS DISTINTAS FREGUESIAS.

Um retrato de família com lembranças de outros tempos, projectados nos sentimentos que, na actualidade, sustentam razões para continuar a viver e a amar as suas raízes.
Uma viagem ao coração de homens e mulheres genuínos, que contaram factos e expressaram alegrias e angústias com a simplicidade de quem cumpriu todo um ciclo de vida.
Uma recolha que, não sendo exaustiva, se centrou no lado humano de gente simples que, com as suas recordações, se torna portadora de sinais importantes, normalmente omitidos pela História (essa que se escreve com H grande…).
O método de reunir informação traduziu-se em encontros informais onde se captaram imagens e sons (vídeo, fotografia e registo sonoro), bem como apontamentos que possibilitaram uma transmissão fiel da riqueza das conversas, nas quais cada um dos elementos da ACERT conquistou mais 26 avós. Momentos de aprendizagem inesquecíveis, pela autenticidade com que nos entregámos a uma fantástica aventura de reconhecimento dos nossos traços distintivos.
A escolha das pessoas abordadas não obedeceu a quaisquer critérios selectivos, baseados no grau de popularidade ou de estatuto público, mas pretendeu somente dar a voz aos que, anónima e humildemente, guardam estórias da sua época, dos seus companheiros e da sua terra.
O painel com ruas de todas as freguesias, ligadas umas às outras, assume-se como representação simbólica do espírito subjacente a esta ideia. Deseja-se que favoreça a elevação da memória colectiva e da auto-estima, a par de um enaltecimento de saberes e recursos conducente à mobilização para objectivos comunitários comuns.
Sempre considerámos que esta acção, longe de ser matéria conclusiva, deveria constituir não mais do que um modesto contributo para um trabalho de investigação absolutamente necessário. Qualquer evolução ou mudança reclama, pois, o entendimento da nossa identidade histórica, sustentando-se na valorização humana do passado construído enquanto grupo.
Assim, sublinhamos o nosso empenho em associarmo-nos à Câmara Municipal de Tondela, Juntas de Freguesia, Associações Locais e Cidadãos, com vista a prolongar esta actividade em novas etapas, através de sinergias capazes de enriquecer o processo de participação comunitária.
Temos reunidas e tratadas algumas centenas de fotografias, que nos foram facultadas por particulares em cada Freguesia. Poucas, perante o que certamente ainda haverá por descobrir…
Estamos disponíveis para dar seguimento a este projecto, no qual contaremos com a indispensável ajuda de toda a população, recebendo e devolvendo o material que nos seja confiado.
Que esta “Marca Humana” aguce a necessidade de preservar os objectos, registos e sinais que os valores de uma modernização caótica tão pouco têm sabido salvaguardar.
Tudo isto só foi possível com a preciosa generosidade das 26 pessoas que connosco partilharam as suas experiências únicas, pelo que a elas dedicamos, com carinho, o resultado deste esforço de muitas mãos.
ACERT – Julho de 2006

 

A esta autêntica escola da vida devo os sentimentos que me permitiram reconhecer, em cada um destes testemunhos, ocultas e relevantes reminiscências de um passado que me fideliza a uma conduta de coerência emotiva e de combate solidário

Um agradável exercício que ultrapassa as fronteiras da escrita ficcional, para se situar num universo de lembranças culturais, de afectos e de identidade.
É a primeira vez que vejo publicadas palavras em formato de livro… uma grande responsabilidade para mim, que nutro uma admiração ímpar pelos artífices do verbo. Fui autor de textos dramáticos nunca publicados; poemas que ora guardei e destruí, ora deixei escorrer apenas pela arte de os dizer. Confesso que o facto de “ser escritor”, dote tão precioso e que tanta companhia me tem feito ao longo do meu percurso, sempre me causou uma certa apreensão.
Estas estórias surgiram como consequência natural de um processo de trabalho colectivo em torno de um projecto: chegavam-nos imagens, registos de conversas com vinte e seis baús de memórias vivas, tornando-se uma tentação não traduzir por palavras os importantes sinais que os episódios relatados configuravam. Era como ter pela frente um quadro preto de ardósia e a oportunidade de, pela primeira vez, empunhar um pedaço de giz e juntar as letras do próprio nome. Tão simples quanto isto: instintivo, naturalmente orgânico… emocional.
Aventurei-me a sentir o que cada rosto e frase transmitiam, agregando-lhes as minhas cúmplices emoções. Ampliei o deslumbramento que a comoção provoca, salientando as convergências que as minhas recordações e vivências carregavam. Lembrei-me dos amigos com quem troquei merendas e travessuras engenhosas; do tempo em que, em Tondela, por falta de alternativas, atacávamos destemidamente árvores de fruto para castigar o tédio e robustecer a coragem; e, finalmente, de todos os companheiros que, por força da necessidade, embargaram a continuação dos estudos para suportar a emigração e a rudeza do trabalho que lhes assegurava o sustento. A esta autêntica escola da vida devo os sentimentos que me permitiram reconhecer, em cada um destes testemunhos, ocultas e relevantes reminiscências de um passado que me fideliza a uma conduta de coerência emotiva e de combate solidário.
Este livro é também pretexto para o reencontro criativo que se impunha com o Carlos Teles, amigo de longa data e co-fundador da ACERT – aspecto que ganha um sabor muito especial na comemoração dos 30 anos. Nunca a loucura dos nossos sonhos se pautou por atrevimentos editoriais, estabelecendo-se tão só no declarado trilho de loucura sem destino, ao sabor da corrente, que a amizade deixa inesperadamente fluir. Os seus retratos arquitectam desejos que extravasam o registo casamenteiro da rotina, sem retirarem, porém, a experiência do trato humano que certifica uma relação de confiança inabalável – afinal, a única via capaz de soltar o lado íntimo de quem é fotografado.

Ao Zé Tavares, inventor das imagens gráficas que têm prodigiosamente vestido a ACERT ao longo destes anos, coube a função de reconstruir um ambiente familiar que fizesse a viagem chegar a bom porto.

O Zito Marques, fabricante incansável de imagens, demonstrou – no DVD que acompanha o livro – uma sensibilidade de documentarista comprometido com a sua arte, o seu tempo e a sua gente.

Ao Prumo, companheiro infatigável de inquietações e loucuras, esteve reservado o embalo cuidado desta edição no seu berço fraterno de carinhos.

O Miguel Torres e a Irene Pais, militantes do desenvolvimento social, deram asas a esta aventura comunitária, que esperamos ver projectada nas múltiplas etapas exigidas pela afirmação de qualquer identidade.

Os femininamente masculinizáveis ACERTinos pegaram em sonhos, à partida, irrealizáveis e concretizaram-nos com aquela teimosia edificadora que a utopia determina.

Uma última e necessária gratidão dirigida às vinte e seis pessoas que nos deixaram passear pelos seus sentires. Ofereceram-nos, acima de tudo, um contagiante pulsar de vida que reforçará a nossa postura de compromisso para com aqueles que, de braço dado com o trabalho, lutam de forma incessante contra a injustiça e pela transformação do seu mundo.

José Rui Martins




Ficha Técnica

Autoria
Textos: José Rui Martins
Fotos: Carlos Teles
Coordenação de Recolha: Miguel Torres
Video: Zito Marques
Concepção Plástica: José Tavares


Uma produção da ACERT, protagonizada por 26 pessoas de todas as freguesias do Concelho de Tondela:
Abel de Figueiredo (Sabugosa), Antonino dos Santos (Vila Nova da Rainha), António Barros (Tondela), António de Matos Coimbra (Molelos), António Gonçalves Coimbra (Nandufe), Áurea Quadros (Campo de Besteiros), Camila Pereira (Silvares), Conceição Marques (Castelões), Edmundo Luís (Guardão), Emília Lopes (Tonda), Ercília Fruela Andrade (Mosteirinho), Ernesto Borrego (Mouraz), Gilberto Gonçalves (Santiago de Besteiros), João da Silva (Lobão da Beira), Joaquim Afonso (S. João do Monte), Joaquim Nunes (Vilar de Besteiros), José Mendes (Mosteiro de Fráguas), José Rodrigues (Tourigo), Laura Silva (Lageosa do Dão), Leonel Cordeiro (Barreiro de Besteiros), Manuel Borges (Ferreiros do Dão), Manuel Neves (Dardavaz), Maria Antónia Pinto (Parada de Gonta), Maria Augusta da Silva (Caparrosa), Ricardo Cardoso (S. Miguel do Outeiro), Vicente Dinis (Canas de Santa Maria)

Coordenação Geral
José Rui Martins, José Tavares e Miguel Torres

Secretariado – Irene Pais e Marta Costa | Gestão Financeira – Rosa Marques

Recolha
Felisberto Figueiredo, Miguel Torres, Raquel Costa, Ruy Malheiro, Sandra Santos e Zito Marques

Vídeo
Realização e Montagem – Zito Marques
Assistente de Realização e Anotadora – Sandra Santos | Guião –José Rui Martins | Locução – Raquel Costa e José Rui Martins | Registo de Imagem – Zito Marques

Textos
José Rui Martins

Anotações de Recolha e revisão – Sandra Santos | Revisão – Ana Martins, Lizete Lemos, Paula Coelho, Raquel Costa e Rosa Simão

Música
Lydia Pinho

Design Gráfico e Concepção Plástica da Exposição
José Tavares

Design Gráfico da Edição
Carlos Silva – Esferagráfica

Fotografia
Carlos Teles

Som e Direcção Técnica
Luís Viegas

Direcção de Carpintaria
Sílvio Neves

Apoio de montagem da exposição
Ana Bastos, Cajó Viegas, Gonçalo Cruz, Lizete Lemos, Manuel Matos Silva, Marta Silva, Miguel Torres, Paulo Neto, Pompeu José, Rui Ribeiro, Sílvio Neves

Edição: ACERT - Associação Cultural e Recreativa de Tondela
Apoio à Edição: Câmara Municipal de Tondela


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2015-11-12
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