CRIANÇAS FALAM COM PEDRAS E ADULTOS VESTEM CORTIÇA

Em Tondela a Lara pedia ao pai para mexer no Polegar todos os dias e quando o pai lhe disse que estavam a montar o Polegar – essa coisa maquinal – logo lhe disseram: “Não não, estamos a vestir o Polegar, isso sim!”; E o vestir assentou tão bem à Lara que teve ali um amigo para se apresentar diariamente.

Transformado num hit de Verão entre os sorrisos dos cúmplices que o geraram, pico pico sarapico é dançado mas o som vai-se. Ora pois, provavelmente no local com todas as condições mais do que estudadas e de relva aparada num parque urbano e crianças todas com vista para a peça de teatro... num sítio onde até da esplanada do café se via o espectáculo, eis que a energia eléctrica falta, para reinventar uma outra de um coro de todos os que são o palco d'O Pequeno Grande Polegar. Reinventar aquilo que há muito existe: as pessoas juntam-se e cantam sem rede abraçadas, com o público a bater palmas e a decidirem em conjunto quando é que o espectáculo acaba. Sejam bem vindos ao teatro de rua O Pequeno Grande Polegar... nós somos o Trigo Limpo Teatro ACERT e queremos agradecer a todos quantos nos lêem, ouvem, participam e partilham. Claro, uma palavra para a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, que permite a existência do espectáculo e os que sempre participam como voluntários para estar na peça muito mais do que a ver. Não, esta não é uma mensagem standard e não estão a ler publicidade! Estão neste momento na ponte entre a viagem cénica do Polegar e de componente circense sem animais, assuma-se até, entre Tondela e Aguiar da Beira, onde a 9 de Setembro se apresenta como personagem que vai nascer e partir para o mundo das Histórias.

O QUE FICA SEMPRE

Fica de Tondela esse coro, a Irene a dizer ai ai ai a meio da escada quando o circo está em cena, a Elsa a levar a prima para uma experiência nova, a maquilhagem retocada à espera da entrada em cena ao som de um quase funk bailarico – só ouvido mesmo – e, no final, a ajuda dos conterrâneos e acertinos para desmontar e se descanse mais rápido. Muitos já sabem do que escrevemos, e se não souberem voltam ao link que esta página de texto abre e nunca encerra.

O Jorge está de volta à Holanda, a Ana à vida sem ensaios e o Polegar e todos os seus meninos pequenos grandes que vão andar à sua volta na próxima paragem. Não é sempre o mesmo. Cada coreografia é nova de sítio para sítio, porque são os figurantes locais que a constroem. Cada pedaço de texto é uma pessoa com um estado de espírito diferente.

VESTIR O MENINO

Em Tondela a Lara pedia ao pai para mexer no Polegar todos os dias e quando o pai lhe disse que estavam a montar o Polegar – essa coisa maquinal – logo lhe disseram: “Não não, estamos a vestir o Polegar, isso sim!”; E o vestir assentou tão bem à Lara que teve ali um amigo para se apresentar diariamente. É também este o efeito. Em Tondela acrescentou-se um ponto ao conto lenda do ao Tom Dela; Em Tondela a Lia e uma menina maior falavam com as pedras pois então. Tudo de volta das selfies com o menino de cortiça e elas a falarem com as pedras ausência, silêncio... As pedras da aldeia personagem. Quando muitos acham que são pedras apenas, estão lá as crianças para lembrar que todas as histórias são verdadeiras.
E agora Aguiar da Beira?

 

Texto de Nuno Santos Cash