O Maior dos Dedos Afasta o Pior dos Medos

À chegada da vila com o balão a subir e a perder-se na noite de chuva de estrelas perto das zonas de Perseu, um pouco abaixo da Cassiopeia... ou do W no céu, perdem-se também as tristezas de um Verão com incêndios, desgraças alheias e as próprias.

Se um circo te convidar para que voes no espaço

para ser sistema solar

faz do teu sol o teu palhaço

Um balão voa com palmas e parece que a noite sobe, tornando-se mais alta como se costuma ouvir dizer em terras por todo o mundo. Desse mundo que calcamos a voar às vezes com as fábulas em noites de Verão. Mesmo que elas recontem invernos. Também em Vouzela, onde existe um lugar chamado Cova do Lobisomem e onde as fábulas contam para pequenos e grandes se mantém a toada da utopia.

À chegada da vila com o balão a subir e a perder-se na noite de chuva de estrelas perto das zonas de Perseu, um pouco abaixo da Cassiopeia... ou do W no céu, perdem-se também as tristezas de um Verão com incêndios, desgraças alheias e as próprias. O trabalho que conta é o que se vê do grupo de teatro que traz um Objecto enorme consigo e reúne os artistas locais mais mirabolantes. Todos são artistas, todos são palhaços. Ainda os estamos a ver a brincar com as escadas em grupos de três ou quatro... improvisando, falando, criando coreografias. E o Álvaro, que chamou as meninas do grupo que faz umas brincadeiras cénicas na escola para os pais... o Álvaro na frente com a escada nas mãos: perna direita no ar, perna esquerda no ar, as duas...

as duas não dá Álvaro (gargalhadas) e uma senhora transportada, qual sua senhoria pelos outros...

Primeiro é preciso criar a relação com a escada em grupo, depois a perspectiva geral para quem vê de forma a haver uma união e o Pedro, o nosso Vagalume, sem a máscara tribal, sem a voz de quem faz estrelas por encomenda, a pedir aos grupos que não se esqueçam de ser palhaços.

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Do alto, temos uma caravana com pessoas a jantar e a espreitar os movimentos por uma janela que baptizaremos de postigo... do alto Pompeu Martins ainda a espanto sussurra (mesmo... é o seu jeito de falar quando não pede ao Vagalume que tire os olhos): As pessoas dizem que foi há um ano que a gente cá esteve com A Viagem do Elefante. Incrível esta noção de tempo, porque foi há três anos. E o melhor disto é chegarmos e o senhor que nos recebe na praça – o da casa cor-de-rosa – dizer que já não tem o estabelecimento aberto porque infelizmente a esposa adoeceu, virar-se com franqueza e confessar que ainda assim se quisermos um cafezinho podemos tomar... é que a máquina de café continua sempre ligada.

MAIS PARA A ESQUERDA

O palco dos músicos vai ter de ir mais para trás e estamos a assistir à idealização do local da aldeia mínima por debaixo dos plátanos que cresceram com o senhor da casa cor-de-rosa. Parece que ele nunca saiu dali, à espera que a terra se transformasse em calçada e que viesse algo grande pousar à sua porta. Já passou um elefante e agora um Objecto... que de tão mínimozito se torna vistoso vá (sorriso de quem vos escreve a brincar aos tamanhos... e aos pesos).

São 200 quilos cada um

São de 200 quilos cada um os bidões com água.... é o Gustavo que explica. A escada vai no meio deles e equilibra-se para a Cinita do circo subir...

Esperem... pedimos desculpa ainda temos na cabeça aquela frase situação: o café fechou mas a máquina continua sempre ligada para servir alguém.

(pausa)

O Gustavo é a cara chapada do Objecto mínimozito que titula a digressão / sonho antigo do Trigo Limpo Teatro ACERT. O Gustavo é o menino que fica na cama de cena o espectáculo quase todo, mas nunca adormece. O Gustavo conta a história que abre a cena narrada por alguém de cada sítio onde passa o Teatro...

O espectáculo não é meu mas estou à vontade!

O Gustavo é quem diz o texto e larga o balão, olha para o Objecto e...

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É como se olhasse o espelho. É ele o Polegar. São Todos lembram-se. Somos todos os que lemos, escrevemos, assistimos e fazemos esta história. O Objecto é o Polegar. O Pequeno Grande Polegar.

Vouzela e a sua estrutura não deixou que problemas com geradores e manatins cortassem a fábula que traz o José Rui Martins de cigarro na orelha e a Raquel Costa a falar com pedras que dizem tanto não dizendo nada. A Ilda chegou aqui há 20 anos. Claro, as personagens deles têm nomes e o José Rui falará delas, como falará de como estão vestidos a Cláudia Ribeiro.

Aos poucos vamos falando de todos e queremos fazê-lo de uma vez só como alarves, mas é grande o espectáculo e o elenco, grande de tamanho porque são todos palhaços de nariz vermelho a fazer rir as idades que já se esqueceram de rir. E é difícil. ISTO NÃO É POESIA. Isto é verdade.

Há uma menina que pede autógrafos ao elenco completo e que quer que o designer cenógrafo idealista de viagens Zé Tavares – diremos quem é quem no fim de tudo – desenhe na sua t-shirt branca o boneco com todos os nomes. Por acaso, o primeiro de muitos autógrafos do Afonso que vai em Setembro entrar em Interpretação... Porto ou Lisboa. É ela que diz quando o menino Gustavo vira costas: ele é o Polegar, mas se fosse menina seria a Mindinha... eu quero ser Mindinha da ACERT.

São 15h26, terça-feira 15 de Agosto. É feriado nacional, mas vamos a Sátão assistir à primeira reunião do próximo espectáculo, já dia 19 de Setembro às 21h30. Levamos a imagem do balão e a frase que vos levará às palmas

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Nuno Santos Cash