Penalva do Castelo: a Igreja, o cão Xanax e até os sinos vão tocar ao ver o Polegar

Agora mesmo estamos, na realidade, a algumas horas da festa de hora marcada a rodar em Penalva do Castelo, onde ainda estão os proprietários do café ao lado da Igreja, onde a temperatura está prevista rondar os vinte e poucos graus e onde o elenco já sabe que levará três horas certas a desmontar o Polegar. Fizeram o teste em Vila Nova de Paiva, e está decidido. Desmontagem no fim do espectáculo! Folgar e voltar à estrada

O que é que se faz a 3 dias do espectáculo? Era o que perguntava a última crónica? A resposta: O Pequeno Grande Polegar está encostado ao canto da praça, um belo e amplo largo de Igreja em Penalva do Castelo. Não está iluminado, e os sinos às 22h00 tocam sem complexo e sem saber que os dois grupos de ensaio estão a trabalhar as coreografias. Por quem os sinos tocam? Pelas horas que passam e até em dia de espectáculo, este sábado às 21h30, poderão dobrar com o nascer do Polegar. Que bem que ficam as rimas com todo o seu ritmo, mas é preciso dizer o que estão a fazer? Quem? Os dois grupos de ensaio, a 3 dias do espectáculo pois então. Claro! O grupo que ajuda no parto e se enleva e eleva com os gostos e desgostos dos habitantes da aldeia está perto das árvores, que à noite não dão sombra mas protegem a criança gigante de cortiça dos mirones da via principal empedrada. 

 

NOÇÃO DE ESPAÇO E EXPRESSÃO

A Sandra e a Raquel (para as chamarmos assim de nome próprio, actrizes e muito mais do Trigo Limpo Teatro ACERT)apoiam-se nas indicações a cerca de uma dezena de pessoas, de Penalva, que simulam o espanto do nascimento do Polegar, reagem às palavras ditas ainda baixinho e quase dançam, inclinando as cabeças ao mesmo tempo para representar. É isso que fazem, é isso que lhes é proporcionado. Representar. Ainda estão sem figurino e sem a noção de espaço preciso, embora já decorem as denominadas marcas e passos a dar. Como é que se guiam no espaço? Guiam-se uns pelos outros. Encontra-se uma referência visual e, a partir daí, venham milhões de pessoas, as aldeias inteiras vizinhas ou haja apenas metro e meio quadrado cénico, eles estão preparados para a cena. Acaba por ser um encanto de surpresa para os participantes porque, por mais que se recrie o acto, a cena e a expressão, só com as palmas e o som no máximo, só com o Pequeno Grande Polegar acordado e com a música a entrar ao tempo é que dão conta da magia. Ou então não... porque a magia só se apercebe no final de tudo quando o consolo enche o peito, como se diz muito da parte de quem aqui faz teatro e, concretamente, o José Rui Martins, que assina a dramaturgia. 

 

VOZES E GESTOS

Fazem um gesto como num acordeão e dizem ai é tão bonito... e aí olham para o público”, depois o Tozé (Príncipe) vai dizer: é tal e qual o pai”

O que é curioso é que, neste ensaio, percebemos que os dois grupos, a poucos metros de distância entre si, têm de estar concentrados... muito! Se no dia do espectáculo cada um entra na sua vez, neste momento estão a ouvir indicações em simultâneo. Se uns inclinam a cabeça e dizem ohhhh, o grupo do Circo com a Ilda e o Pedro (claro que também são muito mais do que actores como todos na ACERT!)....

 

ATENÇÃO, ATENÇÃO, PEDIMOS DESCULPA POR INTERROMPER ESTE TEXTO, MAS POR FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE O QUE É REALMENTE ISTO DE SER TRIGO LIMPO PARA QUEM NÃO ESTEJA A PERCEBER, RECOMENDAMOS QUE PROCUREM O LIVRO ACERT XL: O fio, a trama e a urdidura... a Ilda e o Pedro estão surpreendidos com a forma dos guarda-chuva abertos a rodar. É o grupo que entra na aldeia munido de escadas, tendas e cor. Murmura a Ilda: “vamos experimentar...” e aí dirige-se ao grupo onde uma menina está descalça na praça limpa: “subam o braço para segurar o guarda-chuva lá no alto, subam subam como se fossem um balão de ar quente... perfeito!”.

 

Já se falou dos 3 dias antes e hoje, agora mesmo estamos, na realidade, a algumas horas da festa de hora marcada a rodar em Penalva do Castelo, onde ainda estão os proprietários do café ao lado da Igreja, onde a temperatura está prevista rondar os vinte e poucos graus e onde o elenco já sabe que levará três horas certas a desmontar o Polegar. Fizeram o teste em Vila Nova de Paiva, e está decidido. Desmontagem no fim do espectáculo! Folgar e voltar à estrada. 

 

Mas esperem um pouco que já vos damos conta do que se passa e o que anda o Xanax a fazer. 

Quem?

O Xanax, o cão tranquilo de rua que se esbarriga a pedir festas e que não é um cão de rua... é um cão de praça. Estava lá assim, a abanar a cauda há uns anos aquando da Viagem do Elefante. Está lá agora a receber os Saltimbancos.

 

Nuno Santos Cash