Vouzela Tem uma Casa Rosa e Seu Boneco

O mundo das fábulas chega a Vouzela. Hoje, antes do circo e das escadas, da história de uma comunidade especial e lembranças do tutano com o futuro feliz, contamos nós uma história verdadeira. Que seja o que o futuro quiser

Era uma vez uma casa cor-de-rosa que dormia ao lado de um menino de cortiça. Sentado, era até maior do que ela. A casa que não era pequena, guardava dentro um casal que recebia elefantes de madeira carrinhos de choque outros viajantes. Sendo rosa, há muito era de bonecas, mas desde há uns dias que tinha finalmente o seu boneco... do tamanho de...

A todos eu sou um cristo, dizia nascido nela e no largo com plátanos e carvalhos. Lembrava-se das árvores pequenas. Viu-as crescer. Ele e a sua esposa passava muito tempo à janela desde que, por destino, passou a ter de cuidar mais de si e da vista que a vila onde vivia dava. Cuidar de si era agora contemplar mais do que servir cafés. A casa já tinha tido um café por baixo dos quartos.

A todos eu sou um cristo. Precisam de luz para os choques, tomem lá. Precisam de luz para a tenda tomem lá. Mas o que mais me prendeu até agora foi este rapaz aqui à porta, e sim, guardo ainda um livro com um elefante de uma viagem que por aqui passou. 

O senhor não via muita televisão e não sabia que aquele com quem ele falava sobre elefantes e recém nascidos de cortiça aparecia na caixa mágica com naperons por cima e por onde passava todos o reconheciam. As telenovelas, os telefilmes...

Os dois, ele e o senhor que trazia elefantes e meninos maiores do que casas, falavam das coisas da vida... das boas e as más, das correntes do tempo que parecia passar mais rápido e da corrente eléctrica, dos dias que haveriam de vir. 

Nesses dias o menino de quem tiveram a responsabilidade de ser avós, haveria de nascer uma e outra vez, a pedido de seus pais às estrelas. Da janela, a senhora ia ver o seu novo neto crescer, pôr-se de pé, salvar uma aldeia que não tinha crianças, plantada com seus poucos habitantes junto a um cemitério, com caravanas e habitantes da capital que vinham passar férias à vila Vouzela, com uma ponte romana, pastéis que voam com creme por dentro, cães a passear. 

O menino vai-se chamar Polegar... será o Pequeno Grande Polegar e vai falar com o circo e a fabulosa CINITA, essa que sobe a uma escada incrivelmente alta. Depois, vai ficar como os seus novos avós e o seu cuidador de terra em terra, até chegar a ser personagem de história. Com certeza que os avós também... os avós do Pequeno Polegar vão ficar no mundo dos fábulas.

Nuno Santos Cash