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Cucha Carvaleiro
Cucha Carvaleiro
3 perguntas a


Em Cândida ou o Pessimismo temos uma personagem que se apropria, para depois as voltar a libertar, das histórias de muitas outras personagens. Podemos encontrar aí um paralelismo com a essência do trabalho do ator/da atriz?
Sim. A personagem principal, ou “protagonista”, chamar-lhe-íamos numa peça canónica, é Cândida, uma actriz em final de carreira, que, afinal de contas sou eu própria, com aquilo que me preocupa hoje. O mecanismo dramatúrgico que proponho, uma actriz que atravessa uma crise psicótica, podendo, através desse mecanismo, comunicar com extra-terrestres e “transmitir” para o espaço fragmentos de vozes que “sintoniza” de outros personagens, é afinal, aquilo que nós actores, fazemos todos os dias quando representamos: pomos o nosso corpo e a nossa alma ao serviço de personagens.

No Cândido, de Voltaire, temos uma sátira ao optimismo alicerçado na religião e na filosofia. Que ponto de partida originou este texto de Cândida ou o Pessimismo, que tem no centro uma mulher capaz de escutar e dar a ouvir o Universo?
O Cândido, de Voltaire é uma obra a que regresso muitas vezes pelo puro prazer da leitura, e do qual já fiz uma adaptação para teatro. Através da sátira ao optimismo, Voltaire faz um balanço do estado do mundo na sua época. À minha pequeníssima escala, o meu ponto de partida foi fazer um balanço do meu mundo: as minhas angústias, as minhas memórias, as minhas perplexidades.

Num mundo cada vez mais disperso em termos de referências comuns, encontramo‑nos mais facilmente nos fragmentos e nas histórias dispersas do que nas narrativas de grande fôlego?
É possível que para um público cada vez mais habituado a fazer zapping em frente à televisão, seja mais fácil aderir a fragmentos e histórias dispersas, mas creio que é errado, e um crime de lesa cultura, desistirmos das narrativas de grande fôlego: muitas vezes, no Teatro, desistimos delas por falta de meios para o fazer; qual a Companhia que, em Portugal, tem dinheiro para pôr em cena um Shakespeare, ou um Tchechov, com 15 ou 20 actores em cena? O nosso destino será apenas resistir fazendo monólogos ou desconstruindo os clássicos em fragmentos que os descontextualizam? O meu Cândida ou o Pessimismo é também sobre esta angústia: não é por acaso que a personagem Cândida é apanhada, nua, a recitar Maria Parda (um monóogo) em frente ao Ministério da Cultura.

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2018-01-05
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