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CANTOS DA LÍNGUA
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Local:  Guimarães - Centro Cultural Vila Flor
Data/Hora:  Sábado, 28 Out'06 às 22h00
Local:  Casa das Artes de Famalicão
Data/Hora:  Domingo, 3 Dez'06 às 21h30
Local:  Sala Nasa (GALIZA)
Data/Hora:  Terça-Feira, 23 Jan'07 às 21:30h
Local:  Teatro da Luz em Lisboa
Data/Hora:  5ª Feira, 1 Fev'07 às 15:00h
Local:  Cine-Teatro Dr. Morgado em Oliveira de Frades
Data/Hora:  6ª Feira, 23 Fev'07
Local:  Auditório 1 da ACERT
Data/Hora:  Sábado, 24 Fev'07 às 21:45h
Local:  Showcase na FNAC de Coimbra
Data/Hora:  5ª Feira, 1 Mar'07 às 22:00h
Local:  Auditório Fernando Lopes Graça em Almada
Data/Hora:  6ª Feira, 30 Mar'07
Local:  Fórum José Figueiredo na Moita
Data/Hora:  Sábado, 31 Mar'07
Local:  Festival Altitudes - Montemuro
Data/Hora:  6ª Feira, 17 Ago'07 às 21:30
Local:  Beja - Pax Julia
Data/Hora:  2ª Feira, 17 Set'07 às 21:30
Local:  Auditório Municipal de Lousada
Data/Hora:  6ª Feira, 29 Set'07 às 21:30

CANTOS DA LÍNGUA
Em cada Canto, as palavras e as músicas de uma Língua…
Maiores de 12 Anos

Texto do Autor

UM EMBONDEIRO CHAMADO LEITE DE VASCONCELOS

- O que quer dizer “xirico”?
- É um passarinho! – Dizia a senhora sentada junto a mim, no avião - São muito barulhentos, xii!
- E “xicuembo”?
- Isso é feitiço, feitiçaria!
- Ah, já percebi! Uma criança que cresce na barriga é fruto de algo mágico, transcendente! – Dizia eu, interpretando o livro que a Iracema Vasconcelos me tinha arranjado na véspera. Regressava de Maputo e, mal o avião descolou, comecei a ler o Irmão do Universo, de Leite de Vasconcelos, mas logo me perguntei o que significariam aquelas palavras moçambicanas, que soavam tão bem no meio das portuguesas. Nem de propósito aquela velhota simpática ao meu lado, que me ajudou a entender o texto… não há coincidências, é destino mesmo!
          Tínhamos ido tocar, uma vez mais, a Maputo, e nenhum familiar do Leite de Vasconcelos, falecido há pouco tempo, viera ao espectáculo. Chegado o último dia, corri a cidade, fiz telefonemas e, finalmente, consegui o número da sua esposa, Iracema, através do Machado da Graça. Marquei encontro à porta do Teatro Avenida. À hora combinada apareceu uma senhora elegante, lindíssima, com um rapaz de vinte e tal, seu filho. Apresentei-me e voltei a contar-lhe o que já explicara por telefone: que, numa outra viagem, descobrira um livro de poemas do seu marido, a partir do qual compusera umas músicas que agora trazíamos para tocar. Como, na ocasião anterior, ela não tinha assistido, gostaria de saber o que poderíamos combinar para que, desta vez, as ouvisse.
Convidou-nos para irmos a casa dela à noite, e assim foi. Recebeu-nos com a sala cheia de amigos, alguns dos quais eu já conhecia, como o Mia Couto e o Kok Nam. O Marcelino Alves, que nos foi apresentado nesse dia, falou-nos até altas horas do Leite de Vasconcelos e garantiu-nos que tocámos no coração de Iracema.
         Eu sei que ela gostou de ouvir a Mariana cantar.
         Lembro-me do Hugo e da Cláudia, em Inhambane, quando pedi para folhear uns livros que acabara de ver numa vitrina. Depois, verifiquei que eles já tinham comprado o único exemplar do Resumos, Insumos e Dores Emergentes, que de todos me despertara a maior atenção. Mais tarde, já em Maputo, surpreenderam-me com a oferta desse livro, que entretanto tinham encontrado numa outra livraria. Nessa altura, ainda não imaginava que viria a fazer tantas canções dos poemas do Leite de Vasconcelos.
         Já o trabalho do “Cantos da Língua” andava na estrada quando soubemos da morte de Iracema, uns meses antes. Um ano após aquela noite em Maputo, voltei a contactar com ela por telefone, em minha casa, altura em que me falou na organização de uma homenagem. Disse-lhe que preparara mais umas músicas inspiradas em poemas do livro com que me presenteara.
        - Quais? – Perguntou.
        - O “Anunciação”, o “Embondeiro”…
        - O “Embondeiro”, que bom! Ele gostava tanto do “Embondeiro”!

Carlos Peninha
Viseu, 6 de Novembro de 2006

 


ACERT

Vamos fazer shhh! e que o som vá revelando o que está oculto em cada melodia, em cada palavra, em cada riso.
Shhh! Quem se atreve a falar de todos os “quês” que a língua soltou, vindos sabemos lá nós de onde? Shhh! Que estes cantos ainda ardem, feitos ferida que dói e não se sente. Por todos os cantos que o canto encontrar, que nunca nos contentemos de contentes. Shhhh! Até sempre.

Amélia Muge

 


Gostar do som da nossa língua?
Maravilhar-se com os mil sotaques?
Musicar memórias e sonhos?
Sintonizar arte e técnica?
Potenciar humanas empatias?
Est’ACERT.

AJM (José Martins)

 


Mostra

Mostrar a língua é feio. Sempre me disseram isto. E eu fui guardando a língua dentro da boca.
Ter o coração na boca é falar sem pensar. Sempre me disseram isto. E eu fui empurrando a língua para o coração.
Até que veio o tempo de não seguir tudo o que ouvia. O tempo de começar a falar. Falar com a boca. Com uma das curvas das tripas. Com o nariz. Com um olho só.
Hoje, ganho a vida a mostrar a língua. Tenho outras partes do corpo para mostrar. Mas não mostro.
É feio.

Daniel Abrunheiro



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