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TIAGO PEREIRA


Às vezes ouvimos falar na tradição como uma coisa fora de uso,
anacrónica... O teu trabalho parece ser o contrário disto. O que é, para ti, a tradição?

Tradição é transmissão. O acto da tradição acompanha sempre os tempos e é sempre contemporânea, por isso, neste tempo da remistura, em que agarramos em tudo, remisturamos e transformamos noutra coisa – porque quase tudo já foi inventado
– , a tradição tem um papel preponderante. Se dantes tínhamos a velhinha que cantava no campo, e outra velhinha ouvia e acrescentava um ponto quando passava à velhinha a seguir, quando vem a rádio e a televisão, elas começam a apanhar as coisas que ouvem aí e misturam tudo. No meu trabalho, é exactamente assim que vejo a tradição, como algo em contínua transformação. A tradição é uma coisa afectiva, é um conceito demasiado complexo para ser analisado como um ponto de vista, e cada vez mais é marketing, mas aquilo que podemos definir na génese da palavra, a tal transmissão que vem do fogo, é uma coisa
que vive da remistura.

O teu trabalho como realizador tem divulgado um património muito rico que passa pela música, pela dança, pela comida... Qual é o maior impulso que te faz continuar esse trabalho?

Mais do que a música, mais do que a tradição oral, interessam-me as pessoas reais tal como são. O cantar sempre foi uma coisa genética e é isso que me interessa, descobrir o cantar no seu sentido primordial, mas ver as pessoas como pessoas, dar-lhes o espaço para elas serem o que quiserem, enganarem-se e repetirem, esquecerem-se, perderem-se nas memórias... O meu impulso maior serão sempre as pessoas e tudo aquilo que faço, faço pelas pessoas, pela necessidade urgente de documentar pessoas que estão em vias de extinção, que com elas vão levar milhares e milhares de bibliotecas.

Como criador, nos Sampladélicos, usas o vídeo como ferramenta que
te permite criar sequências únicas de imagem e som. Também aí tenorteias pela vontade de divulgar certas imagens e sons ou usas o que ‘encaixa’ melhor em cada criação?

Sampladélicos é a forma que encontrei de não deixar que as coisas se percam de uma única forma. Se eu gravo muito e ponho na internet, fazendo com que o acesso seja absolutamente democrático – que é isso que me interessa, que toda a gente tenha acesso a este material de forma gratuita, porque não é meu, é comunitário. Vejo todas estas coisas como células vivas e as células vivas têm de remisturar-se. A tradição já é remistura, depois, os Sampladélicos podem misturar a remistura da remistura e brincar com isso, dar um contexto completamente diferente, e podem fazer ficção científica, que é agarrar naquelas coisas todas e dizer: isto agora pode ser assim. É o meu recreio.


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2018-09-21
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