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EDITORIAL
Janeiro, fevereiro e março de 2019


É preciso estar
atento e forte

Não temos tempo
de temer a morte

Caetano Veloso
(Divino Maravilhoso)

O sentimento de autossatisfação é, na ação cultural como na vida, um lamentável estado de vaidade e de obstinação. É assim que 2019 continuará a guardar para a ACERT imprevisíveis desafios na procura de caminhos que conduzam a uma mais substancial relação com os públicos e, consequentemente, na exploração de alternativas de criação e programação artística potenciadoras de novos conhecimentos e experiências. O percurso que o novo ano antevê — também celebração dos 45 anos do 25 de Abril — conduz-nos a reflexões profundas sobre o estado da humanidade: os conflitos beligerantes, o racismo,
a xenofobia, a destruição do planeta, o populismo manipulador desconcertante, a desumanização crescente e a perda de momentos e espaços de convivialidade, debate e reflexão. É neste estado de coisas que alguns apelidarão como “foi sempre assim” que a cultura desempenha um papel social singular, na medida em que desenvolve
a capacidade de nos interrogarmos sobre a vida e de nos congregar para uma forma de percepcionarmos coletivamente o nosso tempo. Um tempo que requer novos entendimentos sobre a função da arte, (des)elitizando-a, transportando-a para a rua, tornando-a acessível a mais vastos segmentos da população.

A ACERT nunca teve a cultura como privilégio das “elites” culturais e muito menos sociais, deixando os “restantes” entregues aos hipermercados do gosto.


É também para com esses públicos que a ACERT quer ter um compromisso de estabelecer a sua comunicação e proximidade com as formas culturais mais exigentes e, aparentemente, menos alcançáveis por fugirem aos cânones consumistas e popularuchos.

Um sonho que se edifica pela ousadia, mudança e inovação, sem perder a matriz associativa e artística fortemente implantada numa (gloca)localização sustentável. Cosmopolita. Inclusiva. Multicultural.


Para a ACERT, pouco valeria uma intervenção artística que não se ativesse à diversificação da oferta cultural, a algum ecletismo devidamente pensado, capaz de proporcionar a interação de campos plurais de favorecimento do conhecimento, da  fruição e da convivialidade. No fundo, o estreitamento e destruição das “distâncias”
que, muitas vezes, estratificam os espetadores em graus de entendimento ou de predisposição para a participação e fruição culturais.
Esta forma de entendimento do processo de dinamização cultural é um património adquirido pela ACERT ao longo dos seus 43 anos. Um tesouro que contou com um amealhar de experiências de vida coletivas num território que, há algumas décadas, não dispunha de alternativas culturais e artísticas e onde a ACERT sempre investiu na partilha e não na hegemonização. Um percurso marcado pelas digressões por todo o país, tomando contacto com realidades que proporcionaram a elevação
de conhecimento e de proximidade. Uma prática artística contemporânea assente na memória e numa estreita relação com as comunidades.

Um ano onde serão realizadas mais de 100 apresentações nas várias disciplinas artísticas na programação do Novo Ciclo ACERT.

É assim que a ACERT enfrentará mais um ano como mais uma alternativa de afirmação da sua capacidade de sonhar impossíveis, pelo marasmo que o naturalmente realizável oferece de bandeja. Um ano onde a formação continuará a revelar-se como uma alternativa de participação e conhecimento. Um ano onde o teatro e as músicas do mundo terão os seus Festivais como momentos especiais, também o Jazz com o seu espaço singular. Um ano que acolherá grupos e iniciativas em residência artística. Um ano que continuará a acolher dezenas de iniciativas comunitárias, fazendo do Novo Ciclo ACERT um centro de recursos
e de serviço público de excelência. Um ano onde os estabelecimentos de ensino continuarão a ter a ACERT como sua casa. O Trigo Limpo teatro ACERT continuará a ter todo o país como palco, reforçando a sua natureza de irradiação teatral com os seus 7 espetáculos em repertório e com a estreia de 4 novas criações.

A Direção da ACERT e a equipa profissional prosseguirão a
aventura, sempre com um desejo imenso de associar novos marinheiros a uma navegação coletiva participada.

A redução do apoio da DgArtes continuará a afetar alguma estabilidade desejada e merecida, obrigando a esforços redobrados para que a missão da ACERT se mantenha inalterada. O Município, as empresas, os associados, os grupos congéneres, os muitos e dedicados Acertinos representaram e continuarão a representar um forte elemento que, associado à resistência sonhadora, permitirão que 2019
seja mais desafiador para alcançar metas que fazem da ACERT e de Tondela um itinerário cultural nacional com identidade e inovação. Vamos a isto que se faz tarde e o futuro começa a cada instante! Obrigado pela companhia afetuosa que faz de cada espetador um protagonista do sonho coletivo que a ACERT representa.

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2019-01-09
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