ADORMECIDA
Teatro e Marionetas de Mandrágora FINTA'12
Uma viagem interior, uma tentativa de voltar às origens…
No FINTA, após estreia em Guimarães e da digressão aos Estados Unidos. “Fiar, tecer, cortar. A ladainha na construção de um fio, um fio como trajeto que separa o novelo do tecido, metáfora simbólica. Nascer, fazer nascer, desenhar linhas entre a roca e o fuso, entre o bater do tear.
Fiandeiras que pelas mãos se constroem, se reinventam, fios suspensos de uma ação contínua, na construção em muitas mãos. Adormecidas, suspensas, aguardam, numa dimensão reinventada de si mesmas, sem espaço nem tempo. Perdidas no não lugar, ou no lugar de nenhures, tecem sem fim, tecem sem parar.”
Da Criação Dando continuidade a esta vontade de trabalhar sobre a integração no mundo contemporâneo de tradições e restícios de patrimónios rurais esquecidos chego ao espetáculo «adormecida». Este contacto que resgata uma forma de estar social, integrado na linguagem teatral contemporânea vem permitir, discutir, sobre os caminhos que traçamos para o futuro, o que criamos, versus o que perdemos. Esta é também uma viagem interior, uma tentativa de voltar às origens, no repensar o modo de estar, e a forma como comunicamos. A lã, as fiandeiras, as cardadeiras, os teares, parecem ao mesmo tempo pertencerem a um tempo perdido, no entanto é também o reflexo de um modo vivencial, onde o tempo que decorre é visto de outra forma, um tempo que escorre lento e em comunidade. Adormecida é também o pensamento sobre uma sociedade contemporânea, que necessita de se libertar, de acordar. O espetáculo, todo ele simbólico, fala de duas fiandeiras aprisionadas pelo seu trabalho, isoladas, escondidas do mundo exterior, inventaram para elas um mundo próprio, reinventaram o tempo em conjunto, são elas próprias uma caixa imaginária, mas o desejo secreto de partir, leva-as a tecerem Rosa das Urzes, que tem uma tesoura em vez de coração, que cortará o cordão que as isola, entre o desejo de partir e o medo, encontramos um mundo inventado cheio de criaturas que a lã permite imaginar e criar. A lã é assim também a matéria-prima desta criação.
Ficha Técnica
Produção: Teatro e Marionetas de Mandrágora Criação: Filipa Mesquita Interpretação e manipulação: Clara Ribeiro e Filipa Mesquita Marionetas e espaço Cénico: enVide neFelibata Música: Fernando Mota recolhas tradicionais de Michel Giacometti Design do cartaz: sergio-alves.com Apoio à pesquisa: Alice Bernardo, Projeto “saber fazer” Fotografia de cena: Edgar Tavares Parceria: Casa da Lã
Maiores de 4 anos Duração: 45 minutos
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