ACERT INDEX Sobre a Associação Programacao Teatro Trigo Limpo Basquetebol Escalada Outros Projectos Formacao
programacao
voltar a página anterior voltar à página anterior
A VIAGEM DO ELEFANTE
Calendarizaçao
Local:   Largo Anselmo Ferraz de Carvalho
Data/Hora:  Sáb, 7 Set.'13 às 21h30
Local:  Largo Anselmo Ferraz de Carvalho
Data/Hora:  Dom, 8 Set.'13 às 21h30

A VIAGEM DO ELEFANTE
Teatro de Rua

Espetáculo teatral de rua do Trigo Limpo teatro ACERT em coprodução musical com Flor de Jara (Espanha) e Parceria Fundação José Saramago

SEMPRE CHEGAMOS AO SÍTIO AONDE NOS ESPERAM[1]

Foi este o pulsar afetivo que gerou no Trigo Limpo teatro ACERT a ideia da montagem teatral do conto de José Saramago. Primeiro, a paixão compartilhada pela leitura. Depois, as visões encantatórias que faziam de cada momento lido um momento teatral. Tudo mexia. Os personagens passaram a conviver connosco e a segredarem-nos intenções de saírem do conto para lhes darmos vida. O elefante Salomão povoava-nos sonhos e dava-nos carícias de uma humanidade singular. Agigantá-lo seria um justo merecimento. José Saramago semeava em nós o prazer duma aventura imaginosa e arrojada. Tão somente o escutámos: “As pessoas não escolhem os sonhos que têm, São, pois, os sonhos que escolhem as pessoas”.[2]

Assim sucede quando a literatura, sem mais pretensão que ser literatura, se converte em expressão de vida. A partir desse momento, será já, para sempre, por obra e graça da vida dos leitores, grande literatura, destinada a fortalecer, com audácia, a experiência da liberdade humana e da expressão criadora, essa vontade lúcida que tanto ajuda a sonhar e a construir a realidade desejada.[3]

O QUE DÁ O VERDADEIRO SENTIDO AO ENCONTRO É A BUSCA E QUE É PRECISO ANDAR MUITO PARA ALCANÇAR O QUE ESTÁ PERTO[4]

Caminhos de partilha se impuseram. Convidados, Luis Pastor e Flor de Jara, entraram na aventura afetuosa e generosamente. O cantautor criou com José Saramago “Nesta Esquina do Tempo”, livro/disco em que musicou os seus poemas e que encerra com a voz do nosso escritor. Deitou mãos à guitarra e a sua voz encantou-nos nesta nova viagem.
Delicadamente, contámos o sonho a Pilar del Río que se encantou, maravilhando-nos com sua generosidade. Cumpria-se mais um momento onírico: “Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós”.[5]

Escrevê-lo [A Viagem do Elefante] não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se a esta tarefa quando estava incubando uma doença que tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida. Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse terminar o livro. Não obstante, sete meses depois, Saramago, restabelecido e com novas energias, pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem, ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa.[6]

“FISICAMENTE, HABITAMOS UM ESPAÇO, MAS, SENTIMENTALMENTE, SOMOS HABITADOS POR UMA MEMÓRIA …” [7]

A adaptação dramatúrgica não dispensa a leitura integral do conto “A Viagem do Elefante”. Procurou-se encontrar os trilhos que, literariamente, respeitassem a bússola do itinerário de Salomão, evidenciassem as tensões que, teatralmente, exprimissem a riqueza dos personagens e os momentos mais salientes da aventura transfronteiriça. O paquidermísmo humano e a humanização afetuosa do Salomãozinho, cruzam a narrativa teatral assimilada do texto literário de José Saramago que se caracteriza pelo “humor irreverente, a ironia distanciadora, a compaixão, o humanismo cético e a ternura”, contrabalançada com “a mesquinhez, os inconvenientes próprios do caminho e o desconsolo provocado pelos poderes terrenos e divinos”.[8] Contra factos tão literários, que argumentos restam ao teatro? Somente navegar na narrativa, bem como devolver ao palco os diálogos já tão magnificamente elaborados e o carácter ficcional das situações que, estando a viver nas páginas do livro, pertencem ao imaginário daqueles que, na leitura, assumem a encenação singular que a sua fantasia reclama. Por isso, estamos confrontados não com público desprevenido, mas, em muitos casos, com guardadores de memórias do que leram. Encenadores duma fílmica leitura. Mediadores zelosos que querem identificar a leitura na visão teatral que lhes é proposta.

Mas não será excessivo, sem embargo, observar que onde poderia parecer que há pouco de Saramago, aqui se encontra todo ele, o mais relevante, a palavra descoberta, sem alardes nem arranjos, sem argumentos nem propósitos que não sejam habitar o centro da língua portuguesa e, uma vez mais, dar a sua versão heterodoxa e complementar da História a partir de ressurreições marginais imaginadas, de uma vontade humanista, de substituir a crónica pela invenção e forçar a alteração da perspectiva acomodada.[9]

[1] José Saramago, A Viagem do Elefante,
[2] idem, O Evangelho Segundo Jesus Cristo,
[3] Jornal de Letras, Artes e Ideias, Testemunho de Fernando Gomez Aguilera sobre obra literária de Saramago, 5/11/08,
[4] José Saramago, Todos os Nomes,
[5] Idem, ibidem,                                  
[6] Mensagem de Pilar del Rio, José Saramago terminou um novo livro. Chama-se A viagem do elefante.
[7] José Saramago, Palavras para uma cidade
[8] Fernando Gomez Aguilera, “Testemunho de sobre obra literária de Saramago”, Jornal de Letras, Artes e Ideias, 5/11/08
[9] Idem, ibidem




Ficha Técnica
Texto criado a partir da adaptação livre do conto de José Saramago “A Viagem do Elefante”


Adaptação dramatúrgica e encenação

José Rui Martins
Pompeu José

Assistência de encenação
Ilda Teixeira
Sandra Santos

Criação e direção musical
Luis Pastor

Arranjos
“A Cor da Língua ACERT” e Luis Pastor

Cenografia e desenho gráfico
Zétavares

Escultura de cena
Nico Nubiola

Ajudantes de cenografia
Xus Góngora
Adriana Ventura
Cláudio Lima

Engenharia mecânica
David Pinheiro
com apoio do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial do IPV

Atores do Trigo Limpo Teatro ACERT
António Rebelo
Hugo Gonzalez
Ilda Teixeira
João Silva
José Rui Martins
Pedro Sousa
Pompeu José
Sandra Santos

Músicos
Carlos Peninha
Lourdes Guerra
Luísa Vieira
Lydia Pinho
Miguel Cardoso
Rui Lúcio
André Cardoso
Carlos Borges
Flávio Martins

Serralharia
Jorge Almeida
Rui Ribeiro

Mecanismos, luz e som
Luís Viegas

Desenho de luz e operação de som
Paulo Neto
Filipe Jesus

Figurinos
Rafaela Mapril

Assistente de Figurinos
José Abrantes

Costureiras
Sandra Rodrigues
Pesponto Moderno
Alice Martins
Fernanda Abrantes

Carpintaria de cena
Carmoserra

Equipamento de som e luz
Stageland

Pirotecnia
Pirotécnica do Dão

Vídeo
Rui Sérgio Henriques

Fotografia
Carlos Teles
Ricardo Chaves
Rui Apolinário e Zétavares

Direção de produção
Miguel Torres (PT) e Lourdes Guerra (ES)

Assistente de Produção
Rui Coimbra

Secretariado
Marta Costa
Rui Vale

Produção
Trigo Limpo Teatro ACERT

PROMOTORES LOCAIS NA DIGRESSÃO
Territórios do Côa, ADR
Câmara Mun. de Figueira de Castelo Rodrigo
Câmara Mun. de Pinhel
Câmara Mun. do Sabugal
Fundação Museu do Douro
Câmara Mun. de São João da Pesqueira
Câmara Mun. do Fundão
Câmara Mun. de Tondela
EGEAC | Câmara Municipal de Lisboa

AGRADECIMENTOS
Gialmar
Tojaltec
Alumetal Sanchez
Instituto Politécnico de Viseu – Escola Superior de Tecnologia
Transportes Fernando Pinheiro
Bombeiros Voluntários de Tondela
Multifusivel
Promotujau
Tondagro
Teatro Municipal da Guarda
Engenheiros Ângela Neves e José Salgueiro Marques
… todos os voluntários que connosco construíram este espetáculo.


Pesquisar



Calendario
Mes Anterior Janeiro 2019 Proximo Mes
S T Q Q S S D
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      



Newsletter
Receba as últimas novidades da ACERT no seu email



https://issuu.com/acert/docs/agenda_t1_2019_



Noticias

2019-01-09
» EDITORIAL