Sobre o tdf
25 anos de Tom de Festa como se fosse hoje o primeiro dia do resto da sua vida
Quais bodas de Ouro? Que é lá isso de o Tom de Festa ser o mais antigo Festival de Músicas do Mundo realizado em Portugal? |
12 RAZÕES E MEIA PARA UM TOM DE FESTA COM 25 ANOS NÃO ENVELHECER
1. NASCER COM O SANTO ANTÓNIO
Festas de Santo António! Assim, tão natural e despreconceituadamente, nasceu o Tom de Festa em 1990.
2. SUBIR AO PAU DO SEBO E JOGAR À CORDA DE TRAÇÃO
Duas atividades que acompanharam o início do Tom de Festa ao final de tarde.
Hoje, como nessa altura, energias redobradas para que a corda não estique. Mãos e corpo ágeis para não escorregar no sebo e conseguir partir a louça no cocuruto do pau nosso de cada dia.
3. ANDAR NA CORDA BAMBA
Do palco improvisado junto às escadas do antigo hospital (2ª morada da ACERT), passou-se à tenda de circo onde a música fez acrobacias memoráveis.
4. JOGAR AO RATO SEM GATO
Num círculo de madeira gigante com esconderijos numerados, um rato fazia chicuelinas junto a cada entrada e ziguezagueava aos gritos dos detentores de cada bilhete numerado. O prémio? Uma garrafa de ginja. O objectivo? Ganhar dinheiro para pagar aos artistas do Tom de Festa.
5. VIVER A PÃO E VINHO
Não havia patrocínios e o Tom de Festa avançava. Uma empresa dava a madeira, outra o pão, outra o vinho, a marca de cerveja oferecia produto e os braços faziam do trabalho, o milagre da multiplicação.
6. PERNOITAR NUM CIRCO
Chegava uns dias antes do Festival e ensinava aos Acertinos a montar a tenda. Ilusionista, o ilustre nome da família Cardinal, integrava o programa do Tom de Festa como convidado de honra.
7. FAZER DE CALDO VERDE CATERING
Os artistas acabavam os concertos e penetravam na cave do Hospital Velho onde lhe era servido um caldo verde feito por as mães dos “mordomos”. Vitorino de Almeida, José Mário Branco, Sérgio Godinho e tantos outros, refastelavam-se com o manjar servido com muitas conversa.
8. JAZZAR COM VOZ DAS CRIANÇAS
Thomas Chapin, multi-instrumentista americano, pioneiro na evolução do jazz dos anos 80 e 90, tocava na tenda de circo já no Novo Ciclo ACERT. Cá fora, os risos e gritos de criança desorientavam a atenção do público. O músico não esteve com meias medidas e improvisou longamente com o seu saxofone sobre a berraria da meninada. Magia e aplausos estrondosos do público. Chapin morreu em 1998, mas continua vivo com a sua marca distintiva no Tom de Festa.
9. HABITAR O CAOS
Ainda o palco do Auditório ao ar-livre não passava de um buraco, já as tábuas das obras e uns estrados emprestados sustentados sabe-se lá com quê, criavam terreno firme para os primeiros concertos do Festival. A pressa era muita.
10. AMEALHAR PIANOS
Cada grupo que precisava de um bom piano era uma dor de cabeça. Vinte e cinco anos depois, a ACERT continua sem ter um. Diz-se dos alugueres “já lá vão 3 pianos”. Pois é, mas o dinheiro, assim, sai na medida do bolso que se tem.
11. ATONDELAR A EXPO’S
Como Lisboa fica longe, o Festival Tom de Festa, com o Novo Ciclo ainda em obras, demonstrou que a imaginação faz prodígios: um aquário Vasco da Gama com 3 peixes; um “acqua mátrix” com fogo de artifício caseiro e um Tejo de relva enquadravam os belos concertos de cada noite. Enquanto isto, a bicicleta gigante com o “caramulo” peregrinava na capital.
12. COMPARTILHAR COMPAYS
O programa estava quase fechado. Só faltava o grupo para fechar a última noite. A proposta chegou: um grupo de músicos cubanos muito bons estava em Espanha e disponível para a data. O nome não era conhecido, mas escutando o que enviavam, foi aprovado. O concerto aconteceu. O público pediu sucessivos “encores” e o grupo, sem cessar de tocar, continuou a atuação em acústico no pátio. Dois anos mais tarde, soube-se que era Compay Segundo e acabavam de editar “Buena Vista Social Club”.
12,5. Só se apresentam 12 razões e meia para o Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo ACERT de Tondela não ter envelhecido, para que seja dada a possibilidade a cada espectador de acrescentar as restantes que guarda na memória.
