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25 anos de Tom de Festa como se fosse  hoje o primeiro dia do resto da sua vida

Quais bodas de Ouro? Que é lá isso de o Tom de Festa ser o mais antigo Festival de Músicas do Mundo realizado em Portugal?
A verdade é que tudo começou tão natural como a vida. Primeiro, o reavivar de uma festa popular. Depois, a criação de um acontecimento artístico-cultural onde a matriz da ACERT se revisse. Mais uns anos passados, a música do mundo, por conter as mestiçagens que avivam o sentido multicultural e a criação alternativa não massificante, é adotada para uma ACERT que deseja que os caminhos de inovação se estabeleçam na confluência entre a tradição e modernidade. Um percurso de 25 anos que têm a jovialidade de mais de uma centena de noites de muitos encontros, de celebração da música ancorada às outras muitas artes e dinamização comunitária de que é moldada e burnida, como o barro negro de Molelos, a ACERT.
Um Festival sem pretensiosismo de ser mesurável pelas multidões que arrasta, mas pela identidade e genuinidade de quem o faz e de quem se sente atraído exatamente por essas razões simples, autênticas e, como tal, contagiantes.
Grandes e numerosos nomes da música nacional e internacional pisaram os palcos do Tom de Festa, deixando marcas memoráveis no coração de quem com eles compartiu belos momentos. As portas de Tondela continuam abertas às músicas e culturas de muitas matizes, revelando que a arte é um fator de relação solidária entre os povos. Uma chama irreverente que encanta e inquieta; que seduz e que interroga; que emociona e que ensina; que unifica na diferença e na tolerância com que fazemos da nossa casa, um quintal onde se acolhem as sementes que um mundo mais justo continua a impor semear conjugadamente.



12 RAZÕES E MEIA PARA UM TOM DE FESTA COM 25 ANOS NÃO ENVELHECER

1. NASCER COM O SANTO ANTÓNIO
Festas de Santo António! Assim, tão natural e despreconceituadamente, nasceu o Tom de Festa em 1990.

2. SUBIR AO PAU DO SEBO E JOGAR À CORDA DE TRAÇÃO
Duas atividades que acompanharam o início do Tom de Festa ao final de tarde.
Hoje, como nessa altura, energias redobradas para que a corda não estique. Mãos e corpo ágeis para não escorregar no sebo e conseguir partir a louça no cocuruto do pau nosso de cada dia.

3. ANDAR NA CORDA BAMBA
Do palco improvisado junto às escadas do antigo hospital (2ª morada da ACERT), passou-se à tenda de circo onde a música fez acrobacias memoráveis.

4. JOGAR AO RATO SEM GATO
Num círculo de madeira gigante com esconderijos numerados, um rato fazia chicuelinas junto a cada entrada e ziguezagueava aos gritos dos detentores de cada bilhete numerado. O prémio? Uma garrafa de ginja. O objectivo? Ganhar dinheiro para pagar aos artistas do Tom de Festa.

5. VIVER A PÃO E VINHO
Não havia patrocínios e o Tom de Festa avançava. Uma empresa dava a madeira, outra o pão, outra o vinho, a marca de cerveja oferecia produto e os braços faziam do trabalho, o milagre da multiplicação.

6. PERNOITAR NUM CIRCO
Chegava uns dias antes do Festival e ensinava aos Acertinos a montar a tenda. Ilusionista, o ilustre nome da família Cardinal, integrava o programa do Tom de Festa como convidado de honra.

7. FAZER DE CALDO VERDE CATERING
Os artistas acabavam os concertos e penetravam na cave do Hospital Velho onde lhe era servido um caldo verde feito por as mães dos “mordomos”. Vitorino de Almeida, José Mário Branco, Sérgio Godinho e tantos outros, refastelavam-se com o manjar servido com muitas conversa.

8. JAZZAR COM VOZ DAS CRIANÇAS
Thomas Chapin, multi-instrumentista americano, pioneiro na evolução do jazz dos anos 80 e 90, tocava na tenda de circo já no Novo Ciclo ACERT. Cá fora, os risos e gritos de criança desorientavam a atenção do público. O músico não esteve com meias medidas e improvisou longamente com o seu saxofone sobre a berraria da meninada. Magia e aplausos estrondosos do público. Chapin morreu em 1998, mas continua vivo com a sua marca distintiva no Tom de Festa.

9. HABITAR O CAOS
Ainda o palco do Auditório ao ar-livre não passava de um buraco, já as tábuas das obras e uns estrados emprestados sustentados sabe-se lá com quê, criavam terreno firme para os primeiros concertos do Festival. A pressa era muita.

10. AMEALHAR PIANOS
Cada grupo que precisava de um bom piano era uma dor de cabeça. Vinte e cinco anos depois, a ACERT continua sem ter um. Diz-se dos alugueres “já lá vão 3 pianos”. Pois é, mas o dinheiro, assim, sai na medida do bolso que se tem.

11. ATONDELAR A EXPO’S
Como Lisboa fica longe, o Festival Tom de Festa, com o Novo Ciclo ainda em obras, demonstrou que a imaginação faz prodígios: um aquário Vasco da Gama com 3 peixes; um “acqua mátrix” com fogo de artifício caseiro e um Tejo de relva enquadravam os belos concertos de cada noite. Enquanto isto, a bicicleta gigante com o “caramulo” peregrinava na capital.

12. COMPARTILHAR COMPAYS
O programa estava quase fechado. Só faltava o grupo para fechar a última noite. A proposta chegou: um grupo de músicos cubanos muito bons estava em Espanha e disponível para a data. O nome não era conhecido, mas escutando o que enviavam, foi aprovado. O concerto aconteceu. O público pediu sucessivos “encores” e o grupo, sem cessar de tocar, continuou a atuação em acústico no pátio. Dois anos mais tarde, soube-se que era Compay Segundo e acabavam de editar “Buena Vista Social Club”.

12,5. Só se apresentam 12 razões e meia para o Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo ACERT de Tondela não ter envelhecido, para que seja dada a possibilidade a cada espectador de acrescentar as restantes que guarda na memória.