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UMA HISTÓRIA A PENAS
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Local:  Festival Teatralia em Madrid
Data/Hora:  14 Mar'07 às 12:00h no Corral de Comedias de Alcalá de Henares
Local:  Festival Teatralia em Madrid
Data/Hora:  15 e 16 Mar'07 às 10:30h no Centro Cultural Paco Rabal
Local:  Festival Teatralia em Madrid
Data/Hora:  17 Mar'07 às 18:00h no Centro Cultural Paco Rabal
Local:  Festival Teatralia em Madrid
Data/Hora:  18 Mar'07 às 12:00h no Centro Cultural Paco Rabal
Local:  Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova
Data/Hora:  Sábado, 18 Ago'07 às 21:30
Local:  Centro Cultural de Currelos, em Carregal do Sal
Data/Hora:  7 Out'07, às 15.30h, dias 8 e 9 Out'07, às 10.30h e 14.30h
Local:  Cine Teatro Municipal de Castro Verde
Data/Hora:  5ª Feira, 11 Out'07, às 15.00h
Local:  Castro Daire
Data/Hora:  Sábado, 17 Nov'07, às 21:30

UMA HISTÓRIA A PENAS


Texto do Autor

- Boi... – miou o gato.
- Muuu...
- Boi, estás aqui estás no açougue.
- Ouço dizer e estou morto por ver como é... Tem de ser lindo.
- Eles comem-te, boi. E não entendes, e não te mexes! Ficas na mesma! Com essa força que tens!... Ai que se fosse comigo!...
- Cala-te para aí, Farrusco – rosnou o cão.
- Tu não dizes nada porque o dono te atira um osso. Por isso lhe fazes festa.
- Não, não é por causa do osso. Eu sou amigo do meu amo. Ele sabe tudo, ele pode tudo, ele é grande!... Todos nós lhe temos medo.
- Pudera! – disse o boi - Ele pica.
- Não é por isso que temos medo. Nós temos medo dele porque está de pé e fala-nos, e sentimos que é grande, que é todo poderoso, o amo que nos dá de comer.
- Mas é um bicho esquisito. É um bicho que às vezes faz coisas incompreensíveis. – atalhou o burro.
- Eu sei o que ele tem. – interrompe o gato.
- Então que é?
- Ele nunca está quieto, não pode. Está sempre a falar. A mulher ainda tem algum préstimo e um colo quentinho... Ah, brutos, que se vocês quisessem!... – teimou o gato.
- Mas tu também lhe fazes festa. – observou o cão.
- Só quando tenho fome. Depois trato-o com indiferença e às vezes com desprezo.
- Que bicho! Que bicho! Anda sempre zé zé zé, como as moscas varejeiras e não cessa de magicar. De manhã já esta de pé aos gritos, à noite é o ultimo que se deita… e tudo isto para quê, se os campos estão cheios de erva? O homem é um bicho muito esquisito, um bicho que não pode nada. Sou eu que trabalho por ele, sou eu que lavro a terra de lés a lés, sou eu que faço o estrume, sou eu que levo o carreto à vila, ele que faz?
- Guia-te. – disse o cão.
- Isso é verdade. A mim custa-me, talvez porque tenho a cabeça muito grande, a entender certas coisas… mas uma vez entendidas nunca mais as esqueço. Ele guia-me, ele fala-me… Disseste para aí à bocado, gato, uma coisa que me tem custado a remoer. Tu disses-te que ele me comia. È impossível! Tu és um mau bicho. Ele não come gente…
Mas come bois. – atalhou o gato.
- Então eu presto-lhe tantos serviços, toda a minha vida nas terras e nas estradas, para ao fim me matar e comer? Nenhum bicho o ajuda com tanta paciência. Nenhum mais calado. Se lhe falto tem de inventar um boi de ferro. Isso é impossível! Impossível! Ele é meu amigo. Ele fala-me com carinho. Muitos dias tenho a barriga cheia e ele tem-na vazia. Trata-me melhor que à mulher. Tu mentes! Tu que dizes que o meu companheiro de trabalho me há-de comer!…
- Dá-te melhor de comer para te engordar boi. Leva-te ao monte para rapares a erva
e as pontas do mato, não para espaireceres, mas porque o homem do talho te paga a carne a bom preço.
- A tua pele só serve para tambor. – atalhou o cão.
- Dou-te um coice que te parto os queixos! Não creio, não creio! Eu já corri mundo e estive no presépio. O homem é meu amigo.
- Nem do homem! – concluiu o gato.

excerto de “Portugal Pequenino” de Maria Angelina e Raul Brandão

 

RAUL BRANDÃO

Nota Biográfica
Raul Brandão (1867-1930) nasceu na Foz do Douro e faleceu em Lisboa. Matriculou-se no Curso Superior de Letras, tendo criado, com António Nobre e Justino de Montalvão, o grupo iconoclasta Os Insubmissos, que coordenou a publicação de uma revista com o mesmo título. Dirige nos finais do século XIX, com Júlio Brandão e D. João de Castro, a Revista de Hoje e colabora no jornal Correio da Manhã. Com 24 anos de idade, Raul Brandão decide deixar o curso de letras e muda-se para a Escola do Exército. Após o curso de oficiais tirado em Mafra, muda-se para Guimarães onde é colocado como alferes e conhece Maria Angelina, com quem casou no ano seguinte, e que viria a escrever, em conjunto com ele, Portugal Pequenino, publicado em 1930.


Escreveu
 Impressões e Paisagens (1890), História de um Palhaço (1896), O Padre (1901), A Farsa (1903), Os Pobres (1906), El-Rei Junot (1912), A Conspiração de 1817 (1914), Húmus (1917), Memórias (vol. I, 1919), Teatro (1923), Os Pescadores (1923), Memórias (vol. II, 1925), As Ilhas Desconhecidas (1926), A Morte do Palhaço e o Mistério das Árvores (1926), Jesus Cristo em Lisboa ((em colaboração com Teixeira de Pascoaes, 1927), O Avejão (1929), Portugal Pequenino (em colaboração com Maria Angelina Brandão, 1930), O Pobre de Pedir (1931), Vale de Josafat (vol. III das Memórias, 1933).

 


Era um pássaro e uma menina.
Um pássaro de árvore de Natal que tinha perdido a mola e a vassoura, brilhante do rabo.
E uma menina, sonhadora e solitária,
que falava com as flores e sabia o coração das coisas.
Como o pássaro não tinha voltado a entrar na caixa das bolas e das grinaldas prateadas a menina levara-o para o seu quarto.
Nessa noite aconchegou-o num gorro de lã
e lá o deixou com o biquinho de fora.
O pássaro conservava o seu branco lunar. Só lhe faltava um rabo.
E a menina deu-se, por tarefa, procurar-lho.
Com muito cuidado a menina tirou do ninho o seu protegido e com uma fita adesiva, colou-lhe o novo e sumptuoso rabo.

Magicamente o pássaro transformou-se.
E a menina pôs-se a amá-lo tanto que sempre que o seu coração anoitecia
entrava no corpo luarento e espelhado e voava pela janela.
E que bom era voar! Não havia limites.
E a menina aventurava-se cada vez mais. E, duma vez, chegou às estrelas.
Num cantinho estava uma estrelinha que se pôs a piscar os olhinhos,
num convite mudo mas insistente.
E a menina aproximou-se com o seu estranho corpo de pássaro.
- Quem és? – perguntou a estrela. Nunca te vi?
- Não sei como explicar-te – atrapalhou-se a menina. – Sou um pássaro e sou menina… Ou melhor, sou uma menina coração de pássaro.

excerto de “A Menina Coração de Pássaro” de Luisa Dacosta, edições Asa

 

LUÍSA DACOSTA

Nota biográfica
Luísa Dacosta nasceu em 1927, em Vila Real de Trás-os-Montes. Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas. Mas as suas "Universidades" foram as mulheres de A-Ver-O-Mar, que murcham aos trinta anos, vivem e morrem na resignação de ter filhos e de os perder, na rotina de um trabalho escravo, sem remuneração, espancadas como animais de carga (-Ele não me bate muito, só o preciso) e que, mesmo afeitas, num treino de gerações,às vezes não aguentam e se suicidam (oh! Senhora das Neves! E tu permites!) depois de um parto, quando o mundo recomeça num vagido de criança! Às mulheres de A-Ver-O-Mar "Deve" a língua ao rés do coloquial. Foi professora do ciclo preparatório e alguma coisa deve também aos alunos: o ter ficado do lado do sonho. Isso a tem motivado a escrever para crianças.


Escreveu
Província
Aspectos do Burguesismo Literário
Notas de Leituras
Vóvó Ana,Bisavó Filomena e Eu
De Mãos Dadas Estrada Fora...I
O Príncipe que Guardava Ovelhas
O Valor Pedagógicao da Sessão de Leitura
De Mãos Dadas Estrada Fora...II
O Elefante Cor-de-Rosa
Teatrinho do Romão
A Menina Coração de Pássaro
De Mãos Dadas Estrada Fora...III
A-Ver-O--Mar
Nos Jardins do Mar
Prefácio a Raul Brandão
Corpo Recusado
A Batalha de Aljubarrota
História com Recadinho
Os Magos Que Não Chegaram a Belém
Morrer a Ocidente
Sonhos Na Palma da Mão
Na Água do Tempo
Lá Vai Uma... Lá Vão Duas...



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