A Transumância do Trigo Limpo teatro ACERT para “VIVER VIRIATO”

Uma das matrizes do trabalho criativo do Trigo Limpo teatro ACERT tem sido revelada, ao longo dos seus 40 anos, pelas produções teatrais de rua fortemente marcadas pelo envolvimento das comunidades. A criação de engenhos cénicos de grandes dimensões tem elemento distintivo do grupo no panorama teatral nacional e internacional.

O Trigo Limpo teatro ACERT criou o projeto “Viver Viriato”, a convite da Câmara Municipal de Viseu e da Viseu Marca por ocasião do seu 40º aniversário, correspondendo a um desafio artístico honroso. Partindo do ícone central do seu espetáculo O Pequeno Grande Polegar (o mais pequeno é a maior personagem da história), criou-se um quadro narrativo centrado na personagem de Viriato que contém distintos trilhos de transumância teatrais de rua com passagens por vários espaços de Viseu, tendo a Feira de S. Mateus como núcleo irradiante e a marioneta gigante como protagonista das distintas dramaturgias.
Para esta aventura artística, o Trigo Limpo teatro ACERT irá contar com a participação identitária de organizações parceiras da região de Viseu com quem, ao longo dos anos, compartilha sinais afectivos e criativos. Este desempenho conjunto revelará a marca distintiva das áreas de atuação de cada parceiro.
O envolvimento da comunidade em todo o processo será de importância vital, tal como em outros projetos de teatro de rua com idêntica matriz. Mais do que o herói que memoriza historicamente Viseu, ressurgirá o menino gigante com coração de passarinho que nasce, brinca aos vários personagens em que se transforma e com quem convive de forma teatral, circense, cinematográfica, musical e de dança num território povoado de elementos simbólicos de afabilidade, onde o feirar é sinónimo de reencontro festivo de uma Feira Franca com 624 anos de história.
Itinerários de transumâncias artística partilhados criam de momentos de convívio que revelam a afirmação do dinamismo cultural regional no panorama das artes nacionais.

Ainda há quem pense que “trabalhar para o boneco” não é importante…
Eu só quero ser uma marioneta em que seja eu o manobrador dos fios com que me teço para “Viver Viriato”.

In, Diário de Viriatinho “O Grande”