TER
Maiores de 6
60 min. aprox.
Preço: 3€
Acompanhante de pessoa c/ deficiência: gratuito
BILHETEIRA ONLINE
TER
Trigo Limpo
estreia
digressão
em cena
Maiores de 6
60 min. aprox.
Preço: 3€
Acompanhante de pessoa c/ deficiência: gratuito
BILHETEIRA ONLINE
Calendarização
dom
sex
sex
ter
sáb
sex
CARROSSEL
De que matéria somos feitos?
Seremos seres livres?
Ou haverá algo, ou alguém que nos molda e manipula?
Uma companhia de teatro prepara a próxima digressão da sua aclamada produção “Carrossel”, quando um acontecimento inesperado obriga à substituição de uma atriz. A intérprete nova prepara-se para integrar a trupe com entusiasmo, mas encontra uma equipa introspectiva que vive o momento como mais uma repetição monótona da mesma rotina de sempre, abrindo espaço para um confronto entre passado e futuro, permanência e transformação.
A nova atriz resiste a enquadrar-se no papel que lhe tentam impor, e é essa resistência que vai revelar a força motriz de um Carrossel que continua a girar, mas de forma cada vez mais errática, cada vez mais enferrujada, cada vez mais em perigo de parar…
A “máquina de cena”, o carrossel, construído de ferro e madeira, mas também de amor e de determinação, dá continuidade a uma longa linhagem de criação cenográfica que também é a história da ACERT. Este Carrossel procura captar a essência de meio século de esforço e de inspiração, de coletivo e de constante reinvenção. Cada volta que a vida dá, não se cumpre em linha reta, mas sim numa viagem circular onde não há fins, apenas novos começos.
Mais do que um espetáculo sobre teatro, “Carrossel” assume-se como uma reflexão sobre a criação artística, a vida em comunidade e os desafios de continuar a construir coletivamente. Festejamos assim os 50 anos de história do Trigo Limpo teatro ACERT. O legado do passado está garantido em toda a sua riqueza, agora há que entender o presente momento e apostar nos próximos 50 anos e naqueles que virão a seguir.
De quem é o carrossel? Quem é que o faz girar? Todos nós!
Este carrossel é movido pela força humana quer do público quer pela vontade e coragem de todos quantos colaboraram/colaboram/colaborarão com a ACERT e Trigo Limpo.
O caminho faz-se caminhando, a festa faz-se festejando.
Calendarização
dom
sex
sex
ter
sáb
sex
Ficha técnica e artística
Texto: Pedro Leitão
Encenação: Graeme Pullyen
Interpretação: Ilda Teixeira, Pedro Sousa, Pompeu José, Ricardo Leão e Sandra Santos
Composição Musical: Ricardo Leão
Cenografia: Pompeu José e ZéTavares
Assistência de Cenografia: José Abrantes, Daniel Nunes, Ilda Teixeira, Pedro Sousa, Pompeu José, Ricardo Leão e Sandra Santos
Figurinos: Eva Pereira
Desenho de Luz: Paulo Neto
Carpintaria: Carmosserra
Serralharia: Araufer
Design Gráfico: Daniel Nunes e ZéTavares
Fotografia: Daniel Nunes
Vídeo: ContoStudio
Comunicação: Daniel Nunes, Liliana Rodrigues e ZéTavares
Assessoria de Imprensa: Romana Martins
Produção: Trigo Limpo teatro ACERT
Teatros Coprodutores:
Cineteatro Alba - Albergaria, Cineteatro Estarreja, Cineteatro Messias, Teatro Municipal de Vila Real, Teatro Municipal da Guarda, Casa da Cultura de S. Comba Dão, Oficina Municipal de Teatro de Coimbra - Teatrão, Centro Cultural de Carregal do Sal, Teatro Municipal de Gouveia, GICC - Covilhã
FOTOS DE CENA
TEXTO DO ENCENADOR
Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que estive na ACERT. Foi para ver o espetáculo “De Faca e Alguidar”. Ainda antes da peça começar havia interação entre os actores e o público. O Pompeu, com um copo de Cutty Sark na mão, sentou-se ao nosso lado e engajou-nos em “amena cavaqueira”. Surpreendeu-me e entusiasmou-me este início e todo o resto do espetáculo. Lembro-me de pensar na viagem para casa: “Com esta gente sim! Com esta gente um dia gostaria de trabalhar”. Não foi há cinquenta anos, mas já passaram alguns. A sala era outra. Não existia ainda o Novo Ciclo, mas o espírito era o mesmo.
Lembro-me de ver “A Partir do Preto”. Penso que terá sido numa escola secundária em Cinfães. Foi a única vez que vi o Luís Viegas em palco. Que presença! E lembro-me de pensar: “Um dia, quero fazer isto que eles fazem, apresentar espetáculos bons, muito bons, em espaços alternativos, em sítios onde mais ninguém vai”.
Lembro-me de um almoço com o Zé Rui em que lhe confidenciei que procurava um Teatro “a sério”, para a estreia do meu primeiro trabalho profissional - “Lobo-Wolf”. Lembro-me do abraço que ele me deu, no final da estreia desse mesmo espetáculo na Sala Preta e do que me disse a seguir: “Isto é do c*******! Quem é que está a fazer a produção disto?”. E depois: “Contem connosco, vamos pôr isto a circular”. E circulámos. Por um país inteiro. E assim nasceu o Teatro do Montemuro.
Lembro-me de pensar cartazes com o Zé Tavares, de rever traduções com o Pompeu e da Carla me dar na cabeça: “Vais pedir outro financiamento pontual? Nem penses. Vais fazer uma candidatura anual e a seguir quadrienal. E quando tiveres dúvidas, pergunta-me e eu explico-te como é que se faz”.
Enfim, as memórias do passado valem o que valem, e valem muito se nos trouxerem alegria no presente. Quando o Pompeu me ligou há uns tempos e perguntou se eu estaria interessado em encenar um espetáculo para comemorar os cinquenta anos da ACERT foi um momento de grande alegria para mim, daquela alegria que é a matéria dos sonhos e dos afetos, que na verdade são as únicas coisas que interessam nesta vida fugaz.
Como diz Macbeth de William Shakespeare:
“A vida não é mais do que uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e agita na cena durante a sua hora. E depois não se ouve mais. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, que nada significa.”
Procuramos, com este espetáculo, dar significado à vida e dar significado ao teatro.
O Pedro Leitão lançou-nos um prazeroso desafio, um texto teatral disfarçado de quebra-cabeças. Divertimo-nos muito a descobri-lo, a desenvencilhá-lo, a transformar o quebra-cabeças do papel num quebra-cabeças do palco, num espetáculo que agora partilhamos com o nosso público.
Vivemos em tempos caóticos, cheios de conflitos e de extremismos, de autoritarismo e de mecanismos de manipulação. É urgente trabalharmos para um teatro que reflita sobre estas questões. É urgente reafirmarmos o teatro como um fórum, um lugar de debate vivo e apaixonado. É urgente fazermos do teatro um lugar de encontro e de com…vivência.
O Pedro propôs-nos não contar a história da ACERT. Seria quase impossível num só espetáculo fazer jus a tantos e tantos anos de “sangue, suor e lágrimas”, de risos, alegrias e conquistas.
Em vez do (válido) exercício histórico, fazemos deste espetáculo um momento de reflexão sobre o teatro. Porque o fazemos? Como o fazemos? Para quem o fazemos? E fazemos do teatro uma metáfora da vida, de um país, de um povo, de uma revolução. Na verdade, de todas as revoluções, e acima de tudo, do espírito revolucionário, dos valores da eterna renovação.
Em vez de lutarmos contra aquilo que é a única e verdadeira ordem natural das coisas, abraçamos a morte e o renascimento, como ciclos da vida. Assumimos, como diz o Pompeu, que “Antes de nós havia teatro e depois de nós continuará a haver”. Se o carrossel é uma metáfora para o teatro, o teatro é uma metáfora para a sociedade.
O Carrossel não pode parar. Nunca. E só há uma maneira de o manter em movimento, com a força do Coletivo.
Tenho passado dias muito felizes neste Carrossel na companhia da Ilda, do Luís Viegas, da Marta, do Paulo Neto, do Pedro, do Pompeu, da Raquel, do Ricardo, da Sandra, do Zé Rui, do Zé Tavares e de todo coletivo da ACERT.
Graeme Pulleyn, Viseu, 19 de maio de 2026